A Corregedoria Geral da Polícia do Estado do Paraná deve iniciar ainda nesta semana as investigações sobre o desaparecimento de 45 armas de fogo apreendidas pela Polícia Civil e que estavam guardadas no 3º Distrito Policial de Londrina. Segundo informações de um funcionário da secretaria estadual de segurança pública que não quis se identificar, todas as armas desaparecidas eram objetos de inquéritos criminais promovidos pela polícia e os desvios podem estar acontecendo há pelo menos quatro meses. O delegado-adjunto da Divisão Policial do Interior (DPI), Almeri Cochinski, informou que o delegado Márcio Vinícius Amaro, da força-tarefa contra homicídios, foi designado para presidir o inquérito.
''Em princípio, são armas que já foram periciadas'', declarou Cochinski. O delegado Amaro disse, no final da tarde de ontem, que não havia recebido comunicação oficial da designação e não poderia se pronunciar. A Secretaria de Estado da Segurança Pública, por meio da assessoria de imprensa, confirmou o desaparecimento das armas. A abertura do inquérito estaria em andamento e a notícia crime já teria sido encaminhada pelo delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Jurandir Gonçalves André, à Divisão de Interior da Polícia, em Curitiba. Na cidade, o delegado-chefe e o delegado responsável pelo 3º Distrito, Manuel Pelisson, recusaram-se a comentar o assunto, alegando impedimentos legais em acordo com o estatuto da Polícia Civil do Estado. André disse somente que as armas desaparecidas não foram recolhidas através das entregas motivadas pelo Estatuto do Desarmamento.
Procurado pela reportagem da Folha, Pelisson afirmou desconhecer qualquer informação sobre o desaparecimento das armas. Ainda na manhã de ontem, uma reunião entre alguns dos delegados da Polícia Civil de Londrina seria realizada na 10 SDP e até mesmo o afastamento de Pelisson teria sido cogitado. André negou que a reunião tivesse sido realizada.
Suspeitas levantadas pela corregedoria dão conta de que o desvio de armas em Londrina acontece há pelo menos quatro meses. De acordo com a assessoria de comunicação da secretaria de segurança, um policial civil que não teve seu nome divulgado estaria desviando e revendendo as armas. Fontes ligadas à Polícia de Londrina afirmam ainda que agentes da corporação em Foz do Iguaçu também teriam ligação com o desvio.
O desaparecimento teria vindo à tona após um pedido de juízes das varas criminais da cidade, que desajavam um levantamento da quantidade de armas apreendidas pela polícia e guardadas pela corporação. Entre o armamento desviado estão pistolas 9 mm, 357 e outras armas de uso exclusivo das forças armadas, grande parte delas apreendidas com traficantes da periferia de Londrina. Outras 6 mil armas estão em poder da justiça, guardadas em sua maioria em cofres do Fórum. A Corregedoria e o Cartório da Divisão de Interior da Polícia Civil não confirmaram o recebimento da notícia crime.
O promotor da 4 Vara Criminal, Sérgio Correia, comentou ser ''esquisito'' um distrito policial armazenar um número elevado de armas. ''Não sei a situação delas, mas se são pereciadas, não deveriam estar lá'', avaliou. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina, José Carlos da Rocha, afirmou que o sumiço não deve prejudicar o andamento de inquéritos. ''Posso dizer que este é um fato muito grave'', salientou.

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