A Corregedoria da Polícia Civil do Paraná está investigando uma série de denúncias envolvendo cerca de 20 policiais civis entre investigadores, delegados e escrivães que atuam na região Norte do Estado. A investigação partiu de uma carta anônima, de um homem que se diz policial civil, remetida à cúpula da instituição e autoridades do município. Uma emissora de TV local também recebeu o documento.
Na carta, cuja teor a Folha teve acesso, são citados policiais de Londrina, Apucarana, Ibiporã e Cambé. Eles são acusados de crimes como corrupção policial, envolvimento com desmanche de veículos roubados, extorsão e estelionato. Um dos casos citados envolve um policial que estaria cobrando R$00 a R$600 para liberar porte de armas. O texto chega a sugerir, inclusive, como fazer a investigação e aponta a descompatibilidade entre padrão de vida e salários.
De um único distrito policial de Londrina são citadas pelo menos cinco pessoas. No texto da carta, vários policiais são nominados através de apelidos da corporação, o que reforça a hipótese da autoria.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir André, responsável por três cidades citadas, recebeu a carta na semana passada e encaminhou o documento para a Corregedoria. Quanto a veracidade das denúncias, André comentou apenas que a questão levantada pelo autor sobre renda e patrimônio é significativa. O delegado informou também que não foi procurado por nenhuma autoridade municipal cuja carta cita como destinatário.
Hoje, o delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Adauto de Oliveira, deve reunir-se com o governador Roberto Requião (PMDB). Um dos assuntos em pauta é a denúncia. Segundo Oliveira, a Corregedoria já está investigando o caso há alguns dias. Alegando sigilo investigativo, ele não quis se aprofundar no assunto, mas adiantou que há indícios graves envolvendo o assunto.
''Alguns dos nomes são conhecidos e realmente têm problemas, o que leva a crer que o resto também possa ser'', disse. Segundo ele, caso os crimes sejam comprovados, os policiais serão afastados da corporação. ''Assim como já foram 70 (policiais) este ano'', reforçou.

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