A Corregedoria-Geral de Justiça quer saber se o juiz Evandro Luiz Camparoto, de Porecatu (85 km ao norte de Londrina), pode ter se beneficiado financeiramente de uma suposta amizade com o diretor da Usina Central do Paraná, Jaime Planas Navarro. A Corregedoria quer descobrir também se a amizade entre os dois pode ter influenciado a condução do processo contra os sindicalistas Evanildo Pinto Rodrigues, Daniel Malaquias e Claudemir Arriero, presos sob acusação de extorquirem R$ 200 mil da usina. As informações são do advogado Fábio Franz, que prestou depoimento ontem no Fórum de Londrina ao juiz da Corregedoria, Fernando Antonio Prazeres.
Segundo Franz, o juiz perguntou se os advogados conhecem indícios de elos financeiros entre Camparoto e a direção da usina. ''Sei apenas o que está na fita (gravações telefônicas)'', afirmou. O advogado garantiu que existem outras gravações que comprometem o juiz. ''Elas serão entregues amanhã (hoje) na Corregedoria (em Curitiba).''
Camparoto, que conduziu o processo por 100 dias, declarou-se suspeito e se afastou do caso na semana passada, depois de os advogados de defesa terem apresentado gravações telefônicas em que o juiz estaria conversando com o diretor e o advogado da empresa. O juiz Fernando Antonio Prazeres colheu os depoimentos de Franz e Giovani Macedo, que defendem Evanildo Rodrigues. O advogado João dos Santos Gomes Filho, contratado pelos outros dois sindicalistas, também foi ouvido pela Corregedoria.
Ele disse que as fitas apresentadas indicam que a a amizade do juiz com a direção da usina não é recente. Para Gomes Filho, Camparoto ''já era suspeito desde o início do processo''. O despacho da prisão preventiva, segundo o advogado, ''é viciado'' e a suspeição evidencia que o processo tornou-se nulo.
O juiz da Corregedoria, Fernando Prazeres, informou que vai encaminhar um relatório ao corregedor-geral, Tadeu Marino Loyola da Costa, assim que colher os depoimentos de todos os envolvidos no caso das gravações telefônicas. Se o corregedor-geral julgar procedente a condução ilícita dentro do processo ele relatará o caso ao Conselho de Magistratura, que poderá impor advertência, afastamento da comarca e suspensão de Camparoto.
Os advogados Fábio Franz e Giovani Macedo estarão hoje no Tribunal de Justiça (TJ) do Estado para promover a defesa oral do pedido de habeas-corpus dos sindicalistas. Segundo Macedo, a suspeição de Camparoto ''joga por terra os atos dele dentro do processo''.

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