Corregedoria afasta policiais envolvidos
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quarta-feira, 22 de outubro de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
A Corregedoria da Polícia Civil transferiu ontem os oito policiais e o delegado Donizete Botelho, que participaram da operação na Favela Monsenhor Guilherme, em Foz do Iguaçu, que resultou na morte de quatro rapazes, três deles menores de idade. O delegado corregedor Clóvis Galvão, designado para investigar o caso, adiantou à Folha que a operação foi malconduzida, os policiais estavam despreparados e foram infringidas várias regras da Polícia Civil.
O resultado preliminar das investigações feitas por Galvão, por determinação expressa do delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Arthur Braga, não aponta se os policiais cometeram excessos na operação, mas conclui que houve falhas. Familiares dos mortos e testemunhas disseram ao delegado que houve execução. Segundo a maioria dos depoimentos, os menores foram algemados e depois mortos a tiros.
A polícia revelou com exclusividade à Folha os nomes dos policiais afastados das funções. São eles os investigadores Hugo Vidal Ferreira Junior, Luís Carlos dos Santos, Celso Geraldo Bueno Carneiro, Luís Carlos Dorial, Paulo Roberto Saucedo, Francisco Carlos Cogrossi, Pedro Isac Nemecek e Fioravante Berruchon dos Santos, e o delegado Donizete Botelho.
Durante a operação, na manhã do dia 11, foram mortos Eli de Oliveira, de 19 anos; Adenilson Dias de Matos, de 17; Arnaldo Oziel Mongelos, de 16; e Giovane Medina, de 15. Ontem, o promotor da Infância e da Adolescência de Foz do Iguaçu, Ourival dos Santos Filho, confirmou que nenhum dos menores de idade teve qualquer passagem pela polícia.
O resultado da investigação da Corregedoria será anexado ao inquérito policial que está sendo feito pelo delegado da 6ª Subdivisão Policial de Foz do Iguaçu, Altino Remi Gubert. Todos os policiais envolvidos na operação passarão a trabalhar em Curitiba, provavelmente em serviços administrativos. Esse procedimento é para deixá-los longe das investigações, explicou Galvão.
As investigações da Corregedoria foram apresentadas anteontem à noite ao Conselho da Polícia Civil, em Curitiba, que decidiu instaurar inquérito administrativo para apurar o caso. Galvão adiantou que, caso fique comprovado que os rapazes foram executados, os policiais deverão ser demitidos. Além disso, o conselho vai nomear três delegados que vão acompanhar o processo interno da Polícia Civil.
Ontem, o delegado-chefe da 6ª Subdivisão Policial, Luiz Carlos de Oliveira, contestou o laudo preliminar de Galvão. Não posso falar nada sobre a operação porque não estava presente. Nem o doutor Clóvis. O delegado Botelho é um policial experiente e continuo confiando nele e na sua versão, disse.


