Corregedoria afasta delegado e policial acusados de tortura
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 2003
Denise Angelo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Corregedoria da Polícia Civil afastou ontem o delegado Armínio de Paula Lima Neto e o investigador Paulo Roberto Serafim, ambos lotados na Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba . Eles foram acusados pelo mecânico Carlos Ribeiro Moraes, 32 anos, de Pinhais, por tortura que teria ocorrido no dia 27 de janeiro. Segundo o advogado de Moraes, Dálio Zippin Filho, mesmo com toda a documentação pessoal e de sua motocicleta em ordem, o mecânico foi abordado na rua, algemado e levado para a delegacia sem nenhuma explicação.
No porão da Furtos e Roubos, Moraes teria sido espancado e mantido pendurado num cavalete, conhecido como ''pau-de-arara'', durante boa parte do dia. Ainda segundo o advogado, os policiais amarraram no rosto do seu cliente uma blusa de lã totalmente molhada, que o impedia de respirar.
A intenção dos policiais era, segundo a vítima, arrancar dele a confissão de que participava de uma quadrilha de roubo de carros e cargas. O mecânico foi liberado depois de cerca de sete horas de tortura. No mesmo dia ele voltou à delegacia para registrar o fato junto ao delegado.
O delegado geral da Polícia Civil, Adauto de Oliveira, informou que o afastamento foi determinado porque existem provas da irregularidade da ação dos dois. ''O mecânico foi preso sem mandado de prisão, mantido na delegacia e o exame de corpo delito mostra que ele tinha uma série de lesões'', informou. Os outros dois policiais acusados pela vítima também devem ser afastados, assim que o reconhecimento seja feito.
O delegado e o investigador afastados vão responder processo administrativo por transgressão disciplinar grave, cuja pena máxima é a demissão, e podem responder a ação criminal por abuso de poder e crime de tortura.


