Leandro Donatti
De Curitiba
O secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, disse ontem que o pedido de demissão do corregedor da Polícia Civil, Anníbal Bassan Junior, e o desligamento em cascata de 12 delegados e do diretor da Escola de Polícia, Adauto de Oliveira, põem fim a um ‘‘descompasso’’ entre a Corregedoria e o Conselho da Polícia Civil, integrado por delegados de divisão. Para abafar a pior crise instaurada na corporação, o secretário tratou de desfocar a queda-de-braço travada entre a Polícia Civil e a Polícia Militar desde o último dia 4, quando três delegados foram agredidos por policiais militares em Curitiba, numa abordagem policial.
Sem detalhar, Cândido Oliveira disse que recentes posições assumidas pela Corregedoria ‘‘não estavam agradando ao Conselho’’. ‘‘As idéias de Bassan Jr. e as do delegado Adauto estavam causando um choque interno’’, observou. Com relação ao diretor da Escola de Polícia, Adauto de Oliveira, o secretário foi mais objetivo. Disse que as acusações feitas pelo delegado, denunciando suposta participação de colegas no tráfico de drogas, causaram mal-estar. ‘‘Principalmente, porque os fatos não foram devidamente esclarecidos’’, observou.
O secretário estava em viagem ontem. Foi comunicado das demissões em massa pelo delegado geral, Newton Rocha, por telefone. Ele retorna hoje a Curitiba. Sobre a norma baixada pela Corregedoria, exigindo mais critério da PM nas abordagens policiais - para evitar atos de violência como os registrados pela Rede Paranaense na desastrosa ação policial envolvendo delegados - o secretário disse que ainda não definiu qual será o destino da medida. ‘‘O provimento é correto, mas inexequível’’, declarou. Ele disse que no interior, onde o número de delegados calça-curtas (sem concurso) é mais alto e a PM em maior número, não tem como executar as exigências contidas do provimento.
O delegado-geral Newton Rocha sinalizou disposição em revogar a norma, alvo de pressão intensa do comandante da PM, Luiz Fernando de Lara. Para Newton Rocha, a medida baixada por Bassan Jr. ‘‘traz dificuldades no relacionamento da Polícia Civil com a Militar’’. Na avaliação do delegado, o momento não é de ‘‘imposições’’. ‘‘Mas de se sentar à mesa com a PM para uma discussão de condutas. Temos de confiar nas autoridades policiais. Mexer no poder da PM é complicado’’, assinalou Newton Rocha, também empenhado em estancar a crise.
Anníbal Bassan Junior contestou as declarações do secretário e do delegado-geral da Polícia ontem. O delegado que deixa a Corregedoria nega que estivesse em ‘‘descompasso’’ com o Conselho da Polícia Civil. Bassan Junior defendeu a normatização da conduta policial diante do cidadão. Disse que a medida é ‘‘exequível em qualquer região do Paranᒒ. O delegado contou que o texto do provimento estava pronto desde março deste ano e admitiu que foi acelerado por conta da agressão da PM contra os delegados. ‘‘Precisamos acabar com essa situação. Se isso acontece com três delegados, em frente a uma delegacia, imaginem o que acontece com os cidadãos comuns’’, observou.Secretário da Segurança afirma que ações de Bassan Junior não agradavam ao Conselho da Polícia Civil e criaram ‘choque interno’
Arquivo Folha‘Descompasso’Secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira: ‘‘Provimento é correto, mas inexequível’’

mockup