Corregedor admite práticas violentas
O corregedor-geral da Polícia Civil, Annibal Bassan Júnior, admite que ainda se pratica tortura nas delegacias do Estado, a exemplo da que está sendo denunciada pela investigadora Raquel Bandeira. ‘‘É verdade. Ainda se pratica tortura’’, disse. Para ele, a atitude é prática de muitos policiais, formados com a doutrina da época da ditadura do País. ‘‘Sem dúvida é um resquício dessa época.’’
Segundo Bassan, essas atitudes devem ser combatidas com a punição dos acusados, sendo importante que não haja impunidade. O corregedor-geral acredita que a instituição policial avançou nos últimos dez anos, principalmente com a Constituição de 1988, e que os casos de torturas estão sendo punidos. ‘‘Seria preocupante se os organismos se omitissem na hora de punir. Não vejo fatos que não sejam combatidos’’, afirmou. O mesmo, disse, não ocorria no passado. ‘‘Antigamente havia conivência da instituição.’’
Com base nos depoimentos da investigadora Raquel e da suposta vítima de tortura e das gravações das sessões de espancamentos, Bassan afirmou haver indícios ‘‘fortes’’ que houve irregularidades por parte dos policiais.
Já o diretor-geral da Polícia Civil, delegado Newton Rocha, não quis se pronunciar sobre as denúncias. Sua assessoria informou que ele vai aguardar os trabalhos de investigação da Corregedoria e a avalição do caso pelo Conselho da Polícia Civil, que é composto por delegados que exercem cargos de confiança na corporação. O conselho é presidido por Rocha e tem poderes para determinar a continuidade ou não da apuração.

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