O corregedor-geral da Polícia Civil, Aníbal Bassan tem quase certeza que Flávio Cruz, 24 anos, foi morto por policiais. Ele disse ontem à Rede Globo que existe 95% de chance de terem sido policiais, pela forma como foi invadida a delegacia. O corregedor foiprocurado pela Folha na corregedoria e em sua casa, mas não foi encontrado. O diretor-geral da PC, Newton Rocha, é mais moderado, porém não descarta essa hipótese. ‘‘Tudo é possível’’, admite, acrescentando que todos os pontos estão sendo investigados pela polícia.
Ontem, a delegada Leila Bertolini, responsável pela investigação, esteve com os promotores Luiz Eduardo Albuquerque e Paulo Kessler tomando o depoimento dos seis policiais que estavam na delegacia na hora do crime. Nenhum deles quis dar entrevista.
A Polícia trabalha com duas hipóteses: a participação de um grupo das policiais ou uma queima de arquivo feita pela quadrilha a qual Flávio era vinculado. O delegado Hamilton Cordeiro da Paz Júnior, que investiga a morte do policial morto por Flávio, Jonathan Ferreira, informou que o preso pertencia a uma quadrilha de furtos veículos muito bem organizada.
Paz diz ter certeza de que o responsável pela morte do policial Ferreira foi Flávio Cruz, mesmo não existindo um depoimento oficial. Porém, o delegado Marcus Michelloto, do 9º Distrito Policial, defende outra tese. Para ele, quem teria feito os disparos seria um homem de camisa xadrez, roupa que usada por Reni Almeida, preso com Flávio. Reni também estava detido na mesma delegacia.
Ontem, o diretor do Instituto Médico Legal do Paraná, Francisco Morais e Silva, disse que foram retirados do corpo do Flávio Cruz dois projéteis. Silva informou que na parte superior do corpo de Cruz haviam também diversos fragmentos de balas. Nos braços, tinham ferimentos transfixantes, como se o corpo fosse espetado. O laudo final da morte, bem como a reconstituição do delito, só fica pronto na sexta-feira.

mockup