Da Sucursal

Albari RosaTranquilidadeSala de espera no Pronto Atendimento do Hospital de Clínicas, ontem pela manhã: população procurou outros centros de atendimentoO Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba, amanheceu ontem com um movimento bastante aquém do normal. Houve redução de pelo menos 30% na procura pelas atividades do setor de Pronto Atendimento (PA), provocada pela possibilidade de paralisação, conforme divulgado pela direção do hospital na semana passada. Nenhum caso grave deixou de ser atendido nem houve tumultos.
O diretor de serviços médicos do HC, Ângelo Tesser, explicou que os serviços do PA não foram paralisados, apenas reduzidos. ‘‘Continuaremos atendendo aos pacientes que chegam com problemas simples, como amigdalite ou sinusite, por exemplo, e os casos muito graves, que colocam em risco a vida deles.’’
Ele informou que os casos ‘‘intermediários’’ estão sendo encaminhados para outros hospitais. Entre eles estão incluídos os pacientes vítimas de apendicite, úlcera perfurada, infecções, acidente vascular cerebral (derrame) e outros. ‘‘É uma forma de garantirmos a segurança da comunidade, evitando possíveis tragédias’’, disse o diretor do HC, Mário Sérgio Cerci. O hospital tem dificuldades para comprar alimentos e medicamentos básicos, como antissépticos e antibióticos.
Cerci explicou que dos 2.500 procedimentos diários realizados pelo hospital, apenas 500 são feitos pelo PA. ‘‘Os outros dois mil continuam totalmente garantidos.’’ Entre estes estão as atividades ambulatoriais, os 400 pacientes atualmente internados no HC e os procedimentos que já haviam sido agendados.
‘‘As atividades do ambulatório, por exemplo, não serão alteradas porque não necessitam de tantos insumos, como alimentos ou medicamentos complexos’’, explicou o diretor de serviços. Ele disse que algumas cirurgias importantes, frequentemente realizadas pelo HC, poderão ser prejudicadas pela falta de medicamentos necessários.
A maternidade do hospital, que atende a até 150 gestantes por dia, também deverá diminuir seus números. ‘‘As mães que ainda estiverem com pouca dilatação no momento em que chegarem ao HC serão encaminhadas para outros hospitais’’, explicou Tesser.
O diretor geral do hospital explicou que a decisão de reduzir os atendimentos foi tomada em conjunto com o Conselho Regional de Medicina (CRM), que visitou o HC na sexta-feira e atestou a falta de condições para realizar suas atividades normais. ‘‘Não é greve nem manifestação política, apenas impossibilidade de atender aos pacientes’’, esclareceu Cerci.

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