Correção de fluxo atinge 200 mil alunos
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sexta-feira, 19 de junho de 1998
Da Redação 
Um das principais causas da evasão escolar é a repetência. Ela é desestimulante para o aluno, que para concluir as oito séries do primeiro grau leva um tempo 50% maior do que o necessário, e muitas vezes inicia um ciclo de reprovações que conduz à desistência. Além disso, a repetência é cara para o Estado, obrigado a assumir o custo desses anos a mais e ciente de que, mesmo assim, o aluno pode não concluir a escolarização.
Esse ônus do ensino começou a ser reduzido no ano passado, com a criação do Projeto de Correção de Fluxo. Programa do governo do Estado levado à frente pela Secretaria da Educação, ele conseguiu, ao final de 1997, colocar 109 mil alunos na série adequada. Neste ano serão mais 91 mil, completando a meta de adequar 200 mil alunos da rede estadual de ensino.
Para se ter uma idéia do que significa esse projeto basta fazer as contas. O governo paga R$ 610,00 por ano para cada aluno matriculado na rede pública. Antes do programa, 36,37% do total de alunos de 5ª a 8ª série - que correspondem a 230 mil estudantes - estavam fora da série adequada, custando ao Estado R$ 140 milhões anuais. Esse valor, que poderia ser aplicado na melhoria do ensino, estava comprometido na bola de neve das reprovações e tendia a aumentar ano a ano.
Encarando de frente o problema, o Estado conseguiu reduzi-lo. Dos 109 mil alunos que participaram do programa no ano passado, 71 mil passaram para a 8ª série e 28 mil ultrapassaram esse nível, ingressando no Ensino Médio (antigo segundo grau).
A meta do programa, que termina no final deste ano, é combater a distorção idade-série porque ela é uma das principais responsáveis pela evasão e múltipla reprovação no sistema de ensino, explica a chefe do Departamento de Ensino Fundamental, Zélia Maria Lopes Marochi.
O Projeto Correção de Fluxo atende preferencialmente alunos de 5ª a 8ª série com dois anos ou mais de defasagem. Este é o universo mais preocupante no Estado. Embora haja distorção também nas primeiras séries, é nas três últimas do Ensino Fundamental (antigo primeiro grau) que a porcentagem de alunos matriculados fora da faixa etária é flagrantemente maior. A média de distorção nas matrículas, nestes níveis, é de 36,7%, alcançando um pico de 40% na 5ª série.
A proposta, segundo Zélia, é alterar a abordagem pedagógica, direcionando-a para uma aprendizagem criativa, integrada ao dia-a-dia do aluno e mais acelerada. O programa trabalha a auto-estima do estudante e tem uma didática diferenciada, diz. A principal diferença está na avaliação, que é contínua e respeita os progressos individuais do estudante, descartando a nota isolada de provas. Com isso, o aluno se sente mais confiante e disposto a aprender. E no final do ano letivo, após passar pela avaliação, pode voltar a estudar com colegas da mesma faixa etária.
Os resultados do programa chamaram a atenção dos responsáveis pela rede municipal de ensino em diversas cidades. Neste ano, a Secretaria da Educação tornou-se parceira de 186 municípios no Correção de Fluxo. Com a parceria, alunos fora da série matriculados no primeiro ciclo do Ensino Fundamental, da 1ª a 4ª série, também tiveram acesso à metodologia do programa na rede municipal.
O governo, através da Secretaria da Educação, oferece aos municípios apoio técnico para a organização das turmas, com no máximo 30 alunos, capacita professores-multiplicadores e fornece o material de apoio a 100% dos alunos matriculados.


