Com a continuidade da greve, dos 70 médicos-legistas existentes no Paraná, apenas 20 devem trabalhar hoje, para atender os casos emergenciais. Mas esses médicos não conseguem dar conta de todo o trabalho. Ontem, por exemplo, sete corpos ficaram sem necrópsia no IML de Campina Grande do Sul, para onde estão sendo enviados os cadáveres da Região Metropolitana de Curitiba. A estimativa era de que em todo Estado haviam 30 corpos na mesma condição.
Hoje às 17 horas, os líderes do movimento terão nova reunião com o governo. ''Estamos caminhando conforme a pressa do governo. O secretário queria marcar nova reunião para sexta-feira. Nós insistimos e conseguimos novo encontro para hoje'', lamentou o médico Paulino Pastre,.
Em Londrina, desde segunda-feira, computadores e aparelhos de fax foram desligados nos dois setores pela Associação dos Peritos do Instituto de Criminalística e Instituto Médico Legal, que, de acordo com Luciano Bucharles, perito do IC e integrante do comando de greve, é proprietária dos equipamentos. ''Como o Estado não manda este tipo de material para cá, eles foram cedidos pela associação sem ônus para o Estado'', esclareceu o perito. Segundo ele, algumas peças foram retiradas para evitar que desavisados utilizassem os computadores.
A única exceção no atendimento feita pelos peritos foram as necrópsias e os exames de local de morte. Ontem, o corpo do aposentado Sebastião Moreira, 66 anos, passou pela necrópsia, que detectou morte por traumatismo craniano. O corpo foi liberado pelo IML.
Exames como confronto de projétil de arma de fogo e verificação de documentos falsos podem aguardar o término da paralisação, ao contrário de perícias em local de morte, onde é feita a coleta de DNA e retirada de impressões digitais. ''Não podemos deixar uma vítima 15 dias no local'', ressaltou Bucharles. (Colaborou Giovana Kindlein)

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