Corpo fica intacto por cem anos
Seguindo os passos do polonês Domingos Lukaszewicz, Geraldo Domahovski aprendeu uma técnica rara de conservação de peças anatômicas. Sem um nome específico, o método utiliza o tradicional formol, glicerina e outros produtos químicos que têm seus nomes mantidos sob sigilo. O processo conserva os cadáveres por tempo indeterminado, sem necessidade de serem imersos em soluções químicas conservantes.
‘‘Com essa conservação, os cadáveres não são atacados por fungos, que deixam os corpos cobertos por uma camada branca’’, explica Domahovski. Com isso, a duração do corpo pode chegar a até cem anos. No museu de Anatomia da PUC, o cadáver de uma mulher mostra a eficácia da técnica. Há dez anos o corpo está exposto, mantendo o movimento das articulações e a pele intacta, que apresenta apenas uma pequena variação de cor.
Os cadáveres, de indigentes, são doados pelo Instituto Médico Legal (IML). Na PUC, com a chegada do cadáver, Domahovski inicia o trabalho de preparo. Com a ajuda do secretário Álvaro Roberto Gonçalves Machado, injeta o líquido de conservação em veias na altura do pescoço, que levam o produto para todo o corpo. Em seguida, o cadáver é imerso em uma solução para conservação. O cadáver nunca é dissecado antes de um ano, para garantir que a carne esteja menos viva e mais rígida.
O professor Sério Luiz Rocha, da disciplina de Anatomia, diz que a técnica é muito importante, em razão do pequeno número de cadáveres liberados para as universidades.

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