Peritos do IML de Curitiba exumaram ontem o corpo da aposentada Genoveva Précoma, 81 anos, avó de Ágata Cristina Précoma, 18 anos, que confessou ter matado, com a ajuda namorada Vanessa Quinterino Naves, 19 anos, a avó e a mãe Elisabeth Bruna Précoma, 41 anos. O delegado operacional Hormínio de Paula Lima Neto, da delegacia de São José dos Pinhais, que pediu a exumação, disse que quer confrontar o laudo dos peritos com os depoimentos das duas garotas que confessaram os crimes. O laudo deve estar pronto ainda nesta semana. Lima Neto disse ter pedido urgência e que o resultado deve demorar entre dois e cinco dias.
‘‘Houve a necessidade de exames complementares porque o IML de São José dos Pinhais havia indicado que Genoveva tinha morrido de causa natural’’, disse o delegado. A avó foi encontrada deitada em sua cama e, segundo ele, os sinais no pescoço dela eram ‘‘pouco intensos’’. Em princípio, a polícia acreditava que a mãe de Ágata tinha se suicidado. A confissão das garotas surpreendeu a todos. As duas disseram que mataram a mãe de Ágata porque ela não aceitava o relacionamento homossexual. A avó teria sido morta porque viu o estrangulamento de Elisabeth.
Para não levantar suspeita, as jovens teriam simulado o enforcamento da mãe, presa a um fio de nylon. Os corpos foram descobertos apenas na terça-feira, quando um amigo da família chamou a polícia. A frieza das garotas durante o interrogatório e as fotografias delas se beijando, publicadas pela imprensa, causaram revolta nos moradores da cidade. A polícia teve trabalho no sábado passado para impedir que elas fossem agredidas.
No domingo, a juíza da cidade decretou a prisão preventiva delas, por 30 dias. Até ontem elas continuam detidas no 9º Distrito Policial, informou o delegado-adjunto Celso Neves. O delegado disse que elas seriam transferidas para o Penitenciária Feminina ainda nesta semana. No 9º DP as garotas tiveram de ser colocadas em uma cela separada das outras detentas, que também queriam agredi-las.
As acusadas serão defendidas pelo advogado Osmann de Oliveira, o mesmo que defendeu Celina e Beatriz Abagge no caso Evandro. Elas deve ser levadas a júri popular e, se condenadas, podem pegar de 12 a 30 anos de prisão por cada crime. Por orientação do advogado, as garotas se recusam a falar com a imprensa. Elas foram aconselhadas pela juíza de São José dos Pinhais a não repetir as fotos de beijo que fizeram depois do depoimento, o que teria causado a tentativa de linchamento.

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