O corpo do agropecuarista Mário Fuganti Júnior, 40 anos, será exumado dois meses depois do assassinato do londrinense em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana). Segundo o delegado-adjunto da 18 Subdivisão Policial (SDP) de Telêmaco Borba, Ernandes Cezar Alves, o pedido de exumação já foi aprovado e aguarda apenas trâmites burocráticos para ser executado. Enquanto isso, a fazenda da vítima estaria sendo alvo de extração ilegal de madeira, conforme denúncia anônima recebida pela Folha.
Fuganti Júnior, que era mais conhecido como Marinho, foi morto a tiros próximo à porteira de uma propriedade da família no dia 5 de maio. Em seguida, os dois autores dos disparos foram até a sede da fazenda, renderam os funcionários e levaram dinheiro e outros pertences de valor. O corpo do agropecuarista foi encontrado no dia seguinte. Apesar do roubo, após as primeiras investigações a polícia praticamente descartou a hipótese de latrocínio. Segundo o delegado-adjunto, ainda não há nenhum dado concreto sobre a autoria e a motivação do crime.
Como até hoje a polícia não conseguiu identificar a arma usada no crime, Alves pediu a exumação. Ele afirmou que os legistas tiveram dificuldade de localizar o projétil que provocou a morte à época e que, para não comprometer demais o cadáver, liberaram-no sem retirar a bala. ''Com o projétil, poderemos fazer o confronto de balística com as armas dos suspeitos'', justificou. A exumação não tem data marcada.
Um dos suspeitos é um homem que está preso em Telêmaco por porte ilegal de arma de fogo. De acordo com Alves, o suspeito reside na mesma localidade rural onde Marinho foi morto e tinha quatro mandados de prisão contra ele. ''Já o interrogamos e ele negou veementemente a autoria do homicídio. Não é nosso principal suspeito, mas não está descartado'', disse o delegado.
Outra pessoa que deve ser interrogada nos próximos dias é um suspeito preso em Londrina por formação de quadrilha. A polícia recebeu, por meio de denúncia anônima, a informação de que este homem teria recebido dinheiro para matar o agropecuarista. Alves confirmou que a hipótese de que o crime tenha sido encomendado ganhou força ao longo das investigações.
A irmã de Fuganti, Bárbara Elizabeth Fuganti, se disse indignada pelo fato de nenhum familiar da vítima ter sido ouvido. ''A polícia sabe que o Marinho contou a família que estava sendo ameaçado e no entanto ninguém nos procurou para perguntar sobre isso'', ressaltou, opinando ser desnecessária a exumação. O delegado-adjunto informou que os parentes deverão ser interrogados em breve e que as investigações estão seguindo trâmite normal, diante do excesso de inquéritos.
Um morador vizinho à fazenda de Fuganti em Ortigueira, que não quis se identificar, contou à Folha que pessoas estão retirando madeira ilegalmente da propriedade. ''Caminhões estão entrando na fazenda diariamente e cortando toras de peroba. É uma área de mata nativa, que nunca foi utilizada para extrativismo'', disse. Ela acredita que são as mesmas pessoas que podem ter matado o londrinense por questões de terra. A reportagem não conseguiu falar com o Ibama para saber se o órgão recebeu a denúncia.

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