Marcos NegriniDúvidasCanhoto: resistência e contradições a respeito do estado em que menina chegou ao pronto-atendimento/norte O delegado-adjunto de Maringá, Luis Norberto Canhoto, anunciou ontem que vai pedir a exumação do corpo da menina Flávia Aparecida Schiavon da Silva, 13 anos, que sofreu um acidente na manhã de segunda-feira e morreu à noite, depois de aguardar mais de 12 horas por atendimento especializado na rede de saúde.
O exame vai verificar qual foi mesmo a causa da morte da garota. O atestado de óbito tinha indicado insuficiência cardiorrespiratória. Porém, o secretário municipal de saúde, Ivan Murad, suspeita que a menina tenha sofrido traumatismo craniano quando caiu no chão.
Flávia teve o palato mole perfurado por uma caneta às 8 horas de segunda-feira. Às 20h50, ela morreu por insuficiência cardiorrespiratória.
A Polícia Civil de Maringá está encontrando dificuldades para investigar o caso. O delegado-adjunto Luiz Norberto Canhoto, da 9ª Subdivisão Policial, que preside o inquérito, só conseguiu os relatórios médicos sobre a passagem da menina por três postos municipais de saúde no final da tarde. Ele chegou a ser impedido de entrar na Central de Leitos de Maringá (ver texto ao lado).
O delegado refez ontem cedo todo o caminho percorrido pela menina. Primeiro, foi ao Hospital Universitário (HU). A diretoria do hospital lhe garantiu que a menina não passou por lá. O pronto-socorro do HU só funciona a partir das 19 horas.
Depois, Canhoto foi ao posto de saúde do bairro Mandacaru, onde Flávia recebeu os primeiros socorros. Sempre acompanhado do escrivão Leôncio Tirapelli, Canhoto conversou com a enfermeira-chefe Maria da Penha Sapata.
Ela disse que Flávia chegou no posto às 8h30, acompanhada por duas professoras. Foi encaminhada à médica Shirley Cardoso. No posto, Flávia teve o céu da boca suturado. Segundo a enfermeira-chefe, a pressão dela estava normal.
Do posto do Mandacaru, a menina foi encaminhada depois para a pediatria do pronto-atendimento da zona Sul. Maria da Penha disse que o lógico seria ter encaminhado Flávia para o NIS, o pronto-atendimento da Zona Norte que atende 24 horas por dia e fica muito mais perto do posto.
A enfermeira-chefe do Pronto-Atendimento da Zona Sul, Marta Gonçalves dos Santos, disse que Flávia foi atendida pela dentista Rosimeire Machado e pela pediatra Dulcilene Lopock, às 9h10 de segunda-feira.
Às 10h40, as duas médicas pediram à Central de Vagas um neurologista urgente para Flávia. ‘‘À tarde, não me lembro que horas, nós pedimos uma vaga na UTI também’’. A menina recebeu antibióticos e soro. Flávia ficou no Zona Sul até às 18h30, horário de fechamento do posto. Foi então encaminhada ao NIS, que funciona 24 horas por dia.
No pronto-atendimento da zona Sul, Canhoto começou a enfrentar dificuldades. Primeiro, Marta não quis lhe passar nenhuma informação. O delegado exigiu conversar com o médico Sandro Scolari, diretor-clínico da Secretaria Municipal de Saúde e responsável pelo funcionamento dos postos.
Pelo telefone, Canhoto e Scolari discutiram. O médico duvidava da competência do delegado para fazer perguntas. No final da tarde, Scolari foi ouvido e finalmente entregou os documentos pedidos - as fichas de atendimento feitas nos locais por onde a menina passou.
No pronto-atendimento da zona Norte (NIS), Canhoto ouviu a enfermeira-chefe do NIS, Denise Santos Camargo. Ela disse que a menina chegou lá por volta das 19 horas. ‘‘Ela chegou bem. Não havia nenhum pedido para UTI na papeleta que veio do Zona Sul’’.(Colaborou Marcos Zanatta)

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