O corpo de uma menina de 9 anos foi encontrado, na madrugada de ontem, dentro de uma mala na Rodoferroviária de Curitiba. Rachel Maria Lobo Oliveira Genofre estava desaparecida desde segunda-feira. A polícia ainda investiga a autoria do crime.
A mala foi encontrada, por volta da 1 hora da manhã, por uma família de Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana), que se acomodava para dormir embaixo de uma das escadas da Rodoferroviária. Quando eles tentaram afastar o objeto de perto de sua bagagem, acharam a mala mais pesada que o convencional e chamaram os fiscais da Rodoferroviária. Ao abrirem a mala, encontraram o corpo da menina.
O corpo da menina estava enrolado em uma sacola plástica e em um lençol verde. Ela vestia apenas a camiseta do uniforme e apresentava sinais de estrangulamento e violência sexual. "Não podemos descartar nada, nenhuma hipótese", afirmou o delegado Naylor Robert de Lima, da Delegacia de Homicídios, que atendeu a imprensa a respeito do caso.
Quando desapareceu na volta da escola na última segunda-feira, Rachel carregava na mochila o troféu que ganhou pelo primeiro lugar em um concurso de redação promovido pela Biblioteca Pública do Paraná. A menina conquistou o prêmio ao abordar o tema "a família conta cada coisa...".
Rachel estudava no Instituto de Educação do Paraná, no centro da cidade, e foi vista pela última vez por volta das 17h30, a caminho da Praça Rui Barbosa, onde sozinha pegava o ônibus em direção à Vila Guaíra, bairro em que morava com a mãe. Filha de pais separados, era a única filha do casal e não tinha irmãos.
A mãe de Rachel, Maria Cristina Lobo Oliveira Genogre, estranhou a demora da menina na volta da escola. Depois de quase duas horas de espera, entrou em contato com a polícia. Desde então, o caso foi acompanhado pelo Serviço de Investigação de Criança Desaparecida (Sicride).
Durante as investigações, tocadas pelo Sicride e pela Delegacia de Homicídios, serão analisadas as fitas do circuito de segurança da Rodoferroviária, das imediações da Praça Rui Barbosa. Os policiais também vão investigar os relacionamentos de Rachel pela internet.
A família da menina está chocada com a situação. "Foi uma monstruosidade", disse Lidiane Souza, 25 anos, amiga da família há mais de 10 anos. Ela afirma que não há suspeitas de quem matou Rachel e que os pais da garota -uma professora e um estagiário da área de secretariado executivo- não tinham inimizades. "São pessoas calmas, inteligentes", afirmou.
Outra amiga da família, Cilene Terezinha Xavier, que estava no velório, à tarde, disse estar chocada com o crime. O clima do velório, que reuniu mais de cem pessoas, era de comoção. O enterro será às 10 horas no Cemitério Municipal do Santa Cândida.

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