Corpo de homem que desapareceu em Ibiporã é encontrado em mata
Devido ao estado de decomposição, não foi possível identificar, no local, se o óbito poderia ter sido provocado com emprego de violência
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quarta-feira, 04 de março de 2026
Devido ao estado de decomposição, não foi possível identificar, no local, se o óbito poderia ter sido provocado com emprego de violência

Uma criança inocente e com hiperfoco em cavalos, rodeios e carros, apesar de seu tamanho avantajado. Assim é descrito Emerson Carlos Simplício, o Fofinho, por seu cunhado André Rodrigues de Lima.
Fofinho foi encontrado morto no fim da tarde desta terça-feira (3), quatro dias depois de ter saído de casa na manhã de sábado (28). As buscas envolveram a família, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e mobilizou a cidade de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina).
Com 52 anos e cerca de 1,80 m de altura, Fofinho apresentava certo grau de deficiência cognitiva, segundo Lima, o que o tornava uma “criança sensível, apesar de robusta”. “Ele recebia muitos estímulos e tinha autonomia para andar, para visitar alguns amigos. Mas, tinha dificuldades para fazer coisas básicas, como higiene pessoal e alimentação. Por isso, era muito dependente da mãe, que era a tutora legal e orientava a vida dele”, conta.
Na manhã de sábado (28), por volta das 9h, enquanto sua mãe, Maria Aparecida, fazia a limpeza do quintal, Fofinho estava na calçada. Quando ela entrou para buscar uma vassoura, Fofinho se distanciou. “Normalmente, ela tomava cuidado para que ele não saísse. Apesar de ter autonomia de ficar próximo da casa, ela não gostava por conta dos perigos da rua”, recorda Lima.
Como Fofinho costumava visitar seus amigos da Apae, onde estudava, e voltar cerca de duas horas depois, a mãe não ligou de imediato. A preocupação dos familiares acendeu no meio da tarde, devido à demora incomum. Foi quando o cunhado, a mãe e os irmãos Miriam, Eder e Edson passaram a procurá-lo, por conta própria, nos locais onde costumava frequentar.
O registro do desaparecimento foi feito por volta das 6h de domingo (1º) e a Polícia Militar se envolveu nas buscas, enquanto a família procurava auxílio via redes sociais. “Mas, infelizmente, recebemos muitas pistas falsas”, conta Lima. Na segunda-feira (2), ainda segundo Lima, os bombeiros passaram a utilizar drones e cães farejadores nos trabalhos de busca.
Neste ponto, imagens de câmera de segurança passaram a indicar por onde Fofinho teria passado, ajudando a elaborar novos pontos de procura. Os trabalhos se estenderam por toda a terça-feira (3), dia em que, no final da tarde, Fofinho foi encontrado sem vida, em uma área de mata íngreme aos fundos de uma pedreira, por um morador dos arredores envolvido nas buscas.
Devido ao estado de decomposição, não foi possível identificar, no local, se o óbito poderia ter sido provocado com emprego de violência. Ele foi levado para o IML (Instituto Médico Legal) de Londrina, que atestou “morte inconclusiva”.
Enquanto aguardava a manifestação do IML, por volta das 12h, Lima disse que gostaria que a morte fosse investigada, independentemente do resultado do laudo. Segundo ele, o local seria de difícil acesso para uma pessoa nas condições de Fofinho. “Ele era uma pessoa que estava acima do peso, estava mal alimentado e tinha deficiência cognitiva. Mas, mesmo para nós, que estávamos alimentados, é um ponto difícil de se chegar”, diz Lima.
O que nos causa estranheza é a dificuldade de acesso ao local. Ele tinha dificuldades motoras, devido ao sobrepeso e pela cognição e estava há tempo sem se alimentar. Ele estava de chinelos, cansado e debilitado e, mesmo assim, chegou em um ponto que nós, bem alimentados, tivemos dificuldades para acessar. Isso tudo nos causa estranheza”, disse Lima.


Luis Fernando Wiltemburg
Repórter de Cidades.



