Corpo de garoto de 2 anos é exumado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de maio de 1997
Edna Mendes, de Turvo 
Foi exumado ontem pela manhã, no Instituto Médico-Legal (IML) de Guarapuava, o corpo do garoto Anderson Zander de Souza, 2 anos, que morreu sábado em Turvo (38 quilômetros ao norte de Guarapuava). Anderson tinha sido atendido no Hospital Bom Pastor, sexta-feira, pelo médico Antonio Soberano. Segundo o médico, o menino apresentava sintomas de gripe. A família decidiu pedir a exumação do cadáver depois que o médico se recusou a assinar o atestado de óbito.
Os pais de Anderson alegam que o estado de saúde do menino piorou depois que o médico receitou uma injeção de Benzetacil 600 mg. A mãe do menino, Dirlene Zander de Souza, disse que desde que tomou a injeção o menino não parava de tremer e não abria mais os olhos. Ela voltou ao hospital no dia seguinte e disse que o médico se recusou a atender a criança. Ele mandou a gente sair do hospital, disse que não ia atender a criança e que o remédio não faz efeito de um dia para outro, conta.
Ainda no sábado, os pais de Anderson procuraram o outro hospital da cidade, mas não encontraram nenhum médico. Eles ainda foram até a casa de mais dois médicos, mas também não encontraram ninguém. Segundo eles, quando voltaram ao Hospital Bom Pastor, a criança já respirava com dificuldades.
Dirlene afirma que quando a criança já estava morta, o médico concordou em atendê-lo. Quando ele viu que o menino tinha morrido, disse que nós tínhamos deixado ele cair ou então que demos uma mamadeira muito cheia e ele se afogou. O Anderson estava sem mamar desde o dia anterior quando tomou a injeção, afirma.
Soberano se defendeu afirmando que os pais da criança não voltaram ao hospital no sábado, quando a criança estava passando mal. Eles só chegaram aqui quando a criança já estava morta. O menino estava com gripe, mas gripe não mata ninguém. Acredito que a criança tenha mamado, vomitado e se afogado em seguida. Isso é muito comum aqui, afirma.
Soberano alega que não quis assinar o atestado de óbito porque não sabia com exatidão qual a causa da morte do garoto. Não posso atestar alguma coisa que não tenho certeza, disse.
Apesar de estar trabalhando na cidade há apenas 40 dias, o médico disse que Anderson era uma criança que sempre apresentava problemas de saúde. A família estava me culpando pela morte do garoto. Então, chamei o delegado para que a família formalizasse uma queixa contra mim, afirma.
Os pais de Anderson afirmam que o garoto tinha uma saúde boa e que era sadio. Eles registraram queixa contra o médico na Delegacia de Turvo.
Segundo o delegado José Maier Krychk, foi aberto inquérito policial para apurar os fatos sobre a morte do garoto e os procedimentos do médico. O laudo com o resultado sobre a causa da morte de Anderson fica pronto em 15 dias.


