A polícia de Sarandi(7 km a leste de Maringá) prendeu a mãe do bebê encontrado morto no lixão da cidade na semana passada. A auxiliar de cozinha Sílvia Cristina Ribeiro de Souza, 20 anos, confessou que teve o bebê na madrugada do dia 20, deixando-o embrulhado em uma sacola plástica. A sacola, segundo ela, foi jogada no lixo por uma colega que não sabia da gravidez e do nascimento do bebê. Sílvia Cristina teve a prisão preventiva decretada anteontem à noite e está sendo acusada de homicídio doloso premeditado.
No depoimento prestado ontem de manhã ao delegado José Aparecido Jacovós, Silvia Cristina disse que tinha vergonha da gravidez e escondeu a gestação dos amigos e parentes. Ela teria ficado grávida de um homem casado, com quem mantinha relacionamento. Sílvia Cristina disse que o namorado não sabia da gravidez. Ela morava com uma colega em uma casa de três cômodos que havia sido alugada por ambas há menos de um mês.
O bebê, conforme a mãe, nasceu na madrugada do dia 20, por volta das 4 horas. Ela mesmo teria cortado o cordão umbilical com a unha. Em seguida, teria envolvido a criança em um pano e colocado dentro de uma sacola. ‘‘Não sabia o que fazer porque o bebê estava morto’’.
A sacola com o corpo do bebê ficou dentro da casa durante dois dias. Só então a colega de Sílvia Cristina sentiu o mau cheiro e perguntou se podia jogar a sacola. O lixo foi recolhido no dia 25 e jogado no lixão da cidade, onde um grupo de catadores encontrou o corpo e chamou a polícia.
Para identificar a mãe da criança, o delegado de Sarandi rastreou o caminho feito pelo caminhão de coleta de lixo no dia 25. Segundo Jacovós, só um caminhão fez a coleta naquele dia. A partir do trajeto do caminhão, o delegado iniciou investigação junto aos moradores para identificar as mulheres que estavam grávidas. Foi a partir de informações de vizinhos que a polícia chegou até a casa de Sílvia. ‘‘Encontramos dois sacos de lixo na frente da casa, onde havia muito papel com sangue, e que denunciava algum tipo de hemorragia’’, disse Jacovós.
A princípio, Sílvia Cristina negou que fosse a mãe do bebê, mas exames do Instituto Médico-Legal (IML) de Maringá confirmaram que ela sofreu um aborto recentemente e que está com sangramento. Também de acordo com laudo do IML, o bebê nasceu vivo com 3,2 quilos e morreu por inanição.
De acordo com o delegado, houve premeditação de crime. Ele disse que até mesmo a empregadora de Sílvia Cristina (ela trabalhava num restaurante de Sarandi) desconfiou da gravidez dela e quis ajudá-la, mas ela negou a gestação. Ela vai responder por homicídio doloso e pode pegar de 12 a 30 anos de prisão.

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