Corpo de agropecuarista foi enterrado em Londrina
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sábado, 06 de maio de 2006
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
A morte do agropecuarista Mário Fuganti Júnior, 41 anos, ainda não está totalmente esclarecida para seus familiares e amigos. Ele foi assassinado com um tiro no lado direito do pescoço, no final da tarde de quinta-feira, na fazenda da família, localizada em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana), onde morava sozinho há quase um ano. O corpo foi enterrado ontem de manhã em Londrina, no Cemitério Parque das Oliveiras.
A família acredita na possibilidade de latrocínio (roubo seguido de morte), já que a vítima havia acabado de receber R$ 1,2 mil, pagamento de um arrendamento, e também porque alguns objetos da sede da fazenda foram levados: um GPS (aparelho de rastreamento por satélite) e uma luneta de visão noturna.
Apesar disso, os familiares não descartam um crime por vingança. ''A gente não sabe exatamente o que aconteceu, pode ter sido vingança porque não levaram tudo da fazenda. Mas, mesmo assim, é difícil de acreditar nisso porque o Marinho era uma pessoa muito querida'', lembrou a irmã da vítima, Bárbara Elizabeth Fuganti. Ela destacou que o irmão nunca havia reclamado ou comentado sobre algum problema com alguém na fazenda.
O amigo de infância da vítima, Paulo Gomes de Almeida, 43 anos, também frisou que Fuganti era muito querido e, aparentemente, não tinha problemas com ninguém. ''Somos amigos desde os 12 anos, brincamos e estudamos juntos. Depois da morte dos pais dele, minha família praticamente o adotou como filho'', disse Almeida.
Segundo ele, Fuganti havia se mudado definitivamente para a fazenda em Ortigueira há um ano. O agropecuarista estava começando a abrir a terra para plantar. ''Ele gostava muito de lá e tinha um sonho: queria ter uma plantação e uma criação de gado para a sobrevivência dele e da família'', frisou. Fuganti não era casado e tinha dois filhos, uma menina de 12 anos e um menino de 13. ''É muito difícil nesse momento falar que ele tinha desavenças com alguém, pois era uma pessoa querida'', reiterou.
Conforme apurou a reportagem da Folha, anteontem, em Ortigueira, Fuganti não tinha carro e havia saído no início da tarde de quinta-feira para ir até uma venda, a cerca de três quilômetros da propriedade. Por volta das 17 horas, um dos funcionários, que estava na casa de um vizinho, escutou tiros e voltou para ver o que estava acontecendo. Ele teria sido rendido na porteira por dois homens armados e levado para a sede da propriedade. Outros dois funcionários também foram rendidos, amarrados e tiveram os olhos vendados até as 7 horas de anteontem, quando um deles conseguiu escapar e foi à procura de Fuganti. Ele teria sido morto dentro da mata nativa existente na entrada da propriedade.
Anteontem à tarde, o corpo do agropecuarista foi encaminhado ao Instituo Médico Legal (IML) de Ponta Grossa, onde foi submetido a autópsia e, em seguida trasladado a Londrina. Até o fechamento dessa edição, a família do agropecuarista ainda não sabia qual delegado seria responsável pela investigação do caso. Ontem de manhã, na delegacia de Ortigueira, não havia nenhuma novidade sobre o crime.
Mais conhecido como Marinho, o agropecuarista era neto de Júlio Fuganti, um dos pioneiros de Londrina e fundador das Casas Fuganti, uma das mais tradicionais da cidade.


