Imagem ilustrativa da imagem Corpo a corpo é a nova tática contra a dengue
| Foto: Roberto Custódio/13-08-2016
Baixa adesão fez Secretaria de Saúde prorrogar a campanha até o dia 24 de setembro



A baixa adesão fez a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) prorrogar o prazo de vacinação contra a dengue até o dia 24 de setembro em 30 municípios. A ordem agora é utilizar novas estratégias para atingir o público-alvo. Em alguns municípios, equipes da Secretaria de Saúde apelam até para o "corpo a corpo", visitando casa por casa para tentar ao menos se aproximar da meta indicada pela Sesa, que é 80%.

Na primeira fase da vacinação, de 13 de agosto a 3 de setembro, apenas 111 mil paranaenses foram imunizados. A prorrogação é mais uma tentativa do Estado em atingir 80% das 500 mil doses adquiridas. Os 30 municípios contemplados com a vacina concentram 80% dos casos de dengue registrados no Estado, 93% dos casos graves e 82% das mortes pela doença.
Paranaguá (Litoral) é a cidade com a situação mais preocupante. No município foram registradas 30 mortes por dengue desde agosto do ano passado. Segundo o secretário de Saúde, Leovaldo Bonfim Pinto, 35,04% (32 mil pessoas) foram vacinadas na primeira fase da campanha. "Estamos indo de casa em casa usando nossos agentes. Dividimos a cidade em 24 microrregiões e estamos partindo para o corpo a corpo", contou.

O objetivo é ao menos dobrar o índice alcançado na primeira fase. "É mais uma tentativa, como que uma última esperança. Sabemos que a busca está baixa e precisamos ir ao encontro dessas pessoas. Fizemos o que pudemos até agora, mas o resultado não veio", admitiu o secretário. Em Paranaguá, assim como em Assaí, podem se vacinar pessoas de 9 a 44 anos. O público incluso nessa faixa etária é de 91,2 mil moradores. Nos outros 28 municípios o público-alvo é de 15 a 27 anos.

MARINGÁ
Maringá (Noroeste), assim como Londrina, registra apenas 13% de pessoas entre 15 e 27 anos vacinadas, segundo dados da Sesa. Por isso, o alerta é maior. A Secretaria de Saúde do município diz que já vacinou 23% das 92 mil pessoas com direito à imunização. "Nos últimos 15 dias já intensificamos a vacinação em escolas e empresas, e a ideia é continuar", afirmou a coordenadora de imunobiológicos da Secretaria, Izabela Gomes Ferrari.

CAMBÉ
A secretária municipal de Cambé, Maria de Brito Lô Sarzi, reconhece a dificuldade em atingir o público-alvo e observa que o tema merece até uma discussão maior na sociedade. "Até os 18 anos, ainda temos um alcance bom, porque eles têm uma influência maior dos pais. Mas a partir disso é difícil, a resistência é alta. E não dá para entender, porque é uma vacina de boa eficácia e gratuita", observou.

Pouco mais de 5,4 mil – 24,23% - de um universo de 22,5 mil pessoas já foram vacinadas em Cambé. A campanha já foi a escolas, empresas e até um carro de som passa pelas ruas da cidade desde o início da vacinação para avisar os moradores. Só que isso ainda não foi suficiente. "Vamos mobilizar toda a sociedade civil de Cambé. Vamos a grupos de jovens, atuaremos com equipes volantes em regiões de difícil acesso para tentar melhorar esse índice."

IBIPORÃ
Em Ibiporã, a tática é a mesma da utilizada em Paranaguá. Agentes e enfermeiros de algumas unidades básicas de saúde estão visitando as residências aplicando as vacinas, mas ainda assim o índice não tem mostrado avanços significativos. "Tivemos muitos relatos de pessoas que se recusaram a tomar a vacina, sem argumento algum, simplesmente não querem tomar", disse, estarrecida, a coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde, Sebastiana Caetano Riechel. "É uma população jovem, que nunca viveu uma epidemia grave, como já houve de sarampo, rubéola, e não tem a dimensão da gravidade", constatou. Até ontem, 3.706 pessoas haviam sido imunizadas, o que corresponde a 33,13% do universo de 11.175 moradores que podem tomar a vacina.

Por outro lado, o município de Munhoz de Mello (Norte), onde vivem quase 3,7 mil pessoas, foi o primeiro a vacinar mais de 80% do público-alvo da campanha. Até terça, já tinham sido vacinadas 692 pessoas, o correspondente a 84,7% do total. Para bater a meta da campanha, a Unidade de Saúde trabalhou em expediente estendido; equipes volantes realizaram a vacinação em escolas, empresas e academias; e, em reuniões semanais, foi feito um mapeamento da população que ainda não tinha sido imunizada.

Entre agosto de 2015 e agosto de 2016, o Paraná teve 56.351 de dengue confirmados. Desse total, 61 pessoas morreram por conta da doença.

mockup