Paulo Pegoraro
De Cascavel
O tenente-coronel Ailton Lino da Silva, comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar (6º BPM), disse ontem que solicitará à Assembléia Legislativa (AL) do Paraná audiência pública para relatar as agressões verbais, de cunho desmoralizatório, que recebeu do deputado Tiago de Amorim Novaes (PPB). O comandante quer levar gravações (áudio e vídeo) onde Tiago se refere a ele como quadrilheiro, cachorro, vagabundo, jaguara, safado, babaca, desqualificado e incompetente para comandar a unidade.
Tiago Novaes atacou o comandante em seu programa policial (na Rádio Cidade) e em entrevista na TV a cabo (SOT), porque a PM investigava carros seus que estão sem placas. Tiago alega que isto serviria como despiste para pessoas que estariam ameaçando sua segurança. A PM mantém há um mês um sargento como ‘‘guarda-costas’’ do deputado-radialista. O policial deverá ser ‘‘liberado’’ da tarefa amanhã, ‘‘porque o deputado diz ser muito querido por todos, então não deve ter ninguém o ameaçando’’, ironizou o comandante.
Ailton Lino da Silva disse esperar que a audiência que solicitará à AL ‘‘interesse’’ à Comissão de Ética da Casa – que, em tese, poderia responsabilizar Tiago por falta de decoro. O comandante do 6º BPM revelou também que seu advogado já estuda a possibilidade de uma representação judicial por danos morais. Segundo ele, um grupo de 23 integrantes da unidade (inclusive oficiais) está interpelando judicialmente o deputado e a emissora de rádio. O grupo teria sido tachado de ‘‘ladrões e corruptos’’ pelo deputado-radialista. Silva revelou haver ‘‘grande indignação’’ com o caso entre soldados e oficiais.
O comandante afirmou ‘‘desconhecer’’ uma informação que circulou ontem, de que alguns policiais ameaçaram uma reação violenta contra Tiago. ‘‘Recomendei calma a todos’’, disse. Silva revelou ainda que o juiz Paulo Roberto Hapner esteve no 6º BPM conversando com oficiais, ‘‘com o mesmo objetivo’’, dizendo-lhes que quem comanda ‘‘tem que ter serenidade, mesmo nas situações mais delicadas’’. As reações ao comportamento de Tiago partem até da Associação Comercial (Acic) e Industrial de Cascavel, cujo presidente, Álvaro Largura, distribuiu nota a respeito.
A Acic manifesta ‘‘repulsa ante as palavras de baixo calão’’ utilizadas por Tiago, o que representaria ‘‘uma agressão que deprime e revolta todos os que prezam a ordem e o respeito às autoridades constituídas’’. Além de manifestar solidariedade, a associação rechaça o ‘‘ato insano, gratuito e destemperado’’, e pede ao comandante que ‘‘sublime as ofensas’’. Silva informou ter recebido também manifestações de solidariedade de outras entidades classistas, associações de bairros, e de várias pessoas, inclusive ligadas à prefeitura – o prefeito Salazar Barreiros (PPB) é aliado político de Tiago.
O prefeito não se pronunciou, mas sua esposa, Idalina Barreiros, coordenadora do Provopar, telefonou para Silva, manifestando-lhe solidariedade. O vereador Atair Gomes da Silva (PDT) disse ter ficado ‘‘estarrecido’’ e que ‘‘todos os que ouviram estão indignados com os grosseiros ataques a uma autoridade’’. O Conselho Comunitário de Segurança prepara a convocação de uma assembléia, com participação do comandante e de oficiais, para formalizar-lhes apoio. O presidente do Conselho, advogado Marcelo Nowack, disse que ‘‘a população é a mais prejudicada’’ com o episódio.

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