Oficiais da Polícia Militar procuraram a Folha, na última semana, indignados com o pedido do coronel Aramis Serpa de concessão de medalha de mérito policial para ele e os seus oficiais. O motivo: a ação de desocupação do quartel central do Comando Geral da PM, em 24 de julho de 2001. A ação, coordenada por Serpa, na época comandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), envolveu 700 homens do Pelotão de Choque, do Comando de Operações Especiais, alunos da Academia de Polícia Militar e 91 policiais femininas para a retirada de cerca de 100 mulheres que protestavam em frente ao quartel contra o governo do Estado.
Depois de esperar um mês para que o governo atendesse suas reivindicações, as esposas de pms voltaram a fechar os quartéis no mês seguinte ao do movimento que parou cinco dos principais batalhões do Estado. Para Vera Lúcio Rubbo, que participou do protesto em Curitiba, o ato não teve mérito nenhum e o pedido do coronel é ‘‘vergonhoso’’. ‘‘Se a ação desse policial contra mulheres desarmadas for considerada honrosa, a Polícia Militar é quem vai perder o respeito.’’
Um oficial, que pediu para não ser identificado, também se mostrou indignado. ‘‘Mérito policial é sair atrás de bandidos bem armados e não tirar à força mães e esposas que estavam ali lutando por suas famílias. Esse episódio não honra em nada a corporação, uma instituição com tradição e glória’’, afirma.
Segundo o coronel Nilton Hary Bronenann, presidente da Comissão de Medalhas da Polícia Militar, a concessão da honraria ainda não foi definida. ‘‘Ela ainda está em estudos’’, explicou.

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