Dimitri do Valle
De Curitiba
O caso da compra sem licitação das jaquetas coreanas produziu a primeira baixa no alto escalão da PM. O coronel Ivo Matickoski, que exercia o cargo de diretor de finanças do conselho administrativo da corporação, foi exonerado da função na semana passada. A vice-governadora Emília Belinati, que respondia interinamente pelo governo, assinou o decreto que oficializou a saída do coronel.
Matickoski foi colocado à disposição para transferência pelo comandante da PM paranaense, coronel Luiz Fernando de Lara. O comandante não gostou quando o diretor de finanças comunicou a compra das jaquetas à Secretaria de Segurança Pública e a assessores do governador Jaime Lerner. Lara defendeu a compra das jaquetas, que está sendo feita pelo importador Georges Pantazis. O empresário recebeu antecipadamente em abril cerca de R$ 350 mil para trazer um lote de 3,5 mil jaquetas impermeáveis da Coréia do Sul. O material, segundo Pantazis, chega em novembro pois ainda está em fase de produção.
A exoneração do coronel aconteceu em meio a investigações da secretaria e do Ministério Público sobre a transação. A apuração foi desencadeada a partir da revelação da compra das jaquetas feita pela Folha em agosto. A demissão de Matickoski provocou revolta entre os oficiais, que consideraram a exoneração injusta. A Folha apurou que a vice-governadora teria sido ‘‘induzida’’ a tomar a decisão.
O objetivo seria desgastar o bom relacionamento que Emília Belinati possui com os oficiais. A versão que circula nos bastidores da PM é de que a demissão causaria a impressão de que o governo estaria interessado em acobertar a apuração, além de intimidar outros oficiais favoráveis a investigação e que não concordaram com a forma como a compra das jaquetas foi feita.
O deputado estadual Ricardo Chab (PTB) aguarda para a próxima segunda-feira as informações que requisitou ao Secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, sobre a compra das jaquetas. O prazo terminou ontem. ‘‘Só vou falar depois de analisar os documentos’’, disse. O assessor de imprensa do secretário, Valdir Bicudo, informou que as informações requisitadas pelo deputado foram enviadas na quarta-feira e que a comissão, que trabalha em ‘‘caráter sigiloso’’, ainda está ouvindo os envolvidos no caso.

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