Curitiba O coronel Ivaldo Marchesi, exonerado do cargo de comandante-geral do Corpo de Bombeiros na sexta-feira por ordem do governador Roberto Requião (PMDB), disse ontem através de uma carta que foi vítima de uma decisão precipitada e que a responsabilidade pela demora na compra de equipamentos de salvamento era do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
Requião exonerou o coronel do cargo porque, segundo ele, o Corpo de Bombeiros e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, ao qual o IAP é vinculado, não realizaram a compra de equipamentos de salvamento, como havia determinado há quase um ano. Na época, apenas essa secretaria tinha recursos disponíveis. O valor da licitação foi de R$ 500 mil para a compra de equipamentos. O material deveria estar disponível desde o início da Operação Verão, em 20 de dezembro.
Para Marchesi, ''a inépcia do IAP ficou demonstrada'' quando um dos diretores do instituto, em 8 de outubro de 2003, pediu desculpas ao comando dos Bombeiros porque o processo para compra dos equipamentos foi esquecido e estava engavetado desde junho. Segundo ele, o projeto de licitação foi encaminhado à Casa Militar e, no dia 14 de novembro, recebeu autorização do governador Requião. A compra teria ocorrido em 17 de dezembro. ''Se tivessem me dado o dinheiro, teria comprado os materiais em março'', observou.
Desde 20 de dezembro até agora, cinco pessoas morreram afogadas no Litoral, uma a mais do que no mesmo período do ano passado. Depois da exoneração, o subcomandante Mario Yoschio Wako assumiu provisoriamente o comando dos Bombeiros.
As assessorias de imprensa do IAP e do governo do Estado informaram, ontem, que o presidente Rasca Rodrigues e o governador não quiseram se pronunciar sobre a carta.

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