Dimitri do Valle
De Curitiba
O coronel Honório Olavo Bortolini confirmou ontem à noite que os R$ 350 mil pagos ao empresário Georges Pantazis foram um empréstimo pessoal do comandante geral da Polícia Militar, coronel Luiz Fernando de Lara. Bortolini afirmou que é falsa a versão de que o dinheiro, retirado dos cofres da corporação, foi usado por Pantazis para comprar jaquetas coreanas. ‘‘Não aconteceu compra alguma. Isso aí está comprometendo a PM’’, disse.
Em nota divulgada no domingo, Pantazis citou que sua empresa, a Powerbrands, apresentou no dia 12 de abril proposta para adquirir as jaquetas. O pedido foi encaminhado ao diretor de Apoio Logístico da PM. A função, na época, era exercida por Bortolini. O coronel disse desconhecer a existência de qualquer documento que tivesse chegado às suas mãos. ‘‘Não recebi carta de ninguém’’, acrescentou.
‘‘Neste ano não foi feito nenhum contrato com ele (Pantazis) ou com a Associação da Vila Militar (AVM)’’, informou. Duas semanas depois de ter entrado para a reserva, em setembro, Bortolini recordou ter sido procurado por Lara para assinar um ofício. O papel tinha data retroativa a abril – mês do empréstimo dos R$ 350 mil – em que a Powerbrands fazia consulta sobre o preço das jaquetas.
‘‘Esse ofício era para respaldar a proposta’’, explicou. Bortolini se negou a endossar o documento apresentado por Lara. ‘‘Falei que não ia assinar uma coisa que não existe’’, assinalou. Mesmo assim, ele revelou que o ofício foi enviado à comissão de sindicância da Secretaria de Estado da Segurança Pública, que investiga o caso.
Bortolini lembrou que o assunto da compra das jaquetas só começou a ser tratado de forma oficial no conselho administrativo da PM a partir do mês de agosto, quatro meses depois de Lara ter repassado os R$ 350 mil a Pantazis. O ex-diretor de logística assinalou que o conselho também decidiu que a compra das jaquetas seria feita através de licitação.
O coronel da PM lamentou que ao final de 35 anos de serviços prestados à corporação tenha passado por essa experiência. ‘‘Os procedimentos envolvendo compras na PM sempre foram corretos. No final da minha carreira me debati com uma situação desagradável’, disse Bortolini, que conclamou ‘‘as pessoas envolvidas a falarem a verdade’’ e deixarem de citar outras que ‘‘nada tem a ver com o assunto’’.Honório Bortolini garante que versão usada para adquirir uniforme é falsa e que nunca recebeu proposta da empresa Powerbrands
Arquivo FolhaIRREGULARIDADEO coronel Honório Bortolini (ao lado) diz que foi procurado pelo comandante geral da PM, Luiz de Lara, para assinar um ofício retroativo ao mês de abril em que a Powerbrands fez uma consulta sobre o preço das jaquetas

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