O coordenador da Vigilância Sanitária de Cornélio Procópio, Yassuo Curiaki, admitiu que há um surto de esquistossomose (barriga d’água) no município. Até ontem haviam sido confirmados sete casos da doença. Outros 23 casos suspeitos estão sendo avaliados. A doença é provocada pelo contado das pessoas com a àgua de córregos contaminados com a larva Schistosoma mansoni, que se desenvolve nos caramujos. Foram localizadas quatro pessoas contaminadas no Jardim Privamera e três no distrito de Congonhas.
A doença provoca distúrbios gastrointestinais, dores abdominais e nos membros inferiores, diarréia e febre. A Secretaria de Estado da Saúde, Sanepar, Vigilância Sanitária e Epidemiológica do município estão orientando a população a não utilizar a água de córregos para banhos ou consumo. Raramente a doença provoca a morte, mas o diagnóstico tardio pode acarretar lesões permanentes no fígado.
As pessoas que apresentarem sintomas devem procurar um posto de saúde para diagnóstico e tratamento. A doença não era registrada há pelo menos seis anos no município. Amanhã começa o trabalho de tratamento dos córregos para a eliminação do caramujo.
Uma equipe com membros da Vigilância Sanitária, Departamento Municipal de Saúde e técnicos da Fundação Nacional de Saúde (FNS) de Jacarezinho vão percorrer os seis quilômetros de extensão do córrego que corta o Jardim Primavera para eliminar todo os focos do parasita. No distrito de Congonhas foram coletadas amostras e os resultados devem ser divulgados esta semana. Curiaki disse que o trabalho de conscientização também foi intensificado. ‘‘Iniciamos o trabalho de educação sanitária utilizando emissoras de rádio, panfletos e agentes comunitários’’, disse. O departamento de Vigilância Epidemiológica do município informou que o surto foi identificado por causa da localização de casos de esquistossomose em uma área que não apresentava registros da doença.
Contaminação Os doentes são infectados depois de entrar em contato direto com a àgua dos córregos contaminada por esgoto doméstico proveniente de ligações irregulares. Os ovos do verme são lançados no esgoto. O parasita se desenvolve em caramujos e infectam outras pessoas.
O coordenador da Vigilância Sanitária disse que em novembro teve início um trabalho de fiscalização de ligações de esgoto e cerca de 50 pessoas foram notificadas. A Sanepar informou que na próxima semana vai divulgar uma relação com quase 120 proprietários de residências que continuam com ligações irregulares. Os moradores devem ser notificados pela Vigilância Sanitária.

mockup