Córneas de garota morta pela mãe foram doadas
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sábado, 09 de dezembro de 2000
Edna Mendes De Londrina 
A estudante Aline Fernanda da Silva Haura, 10 anos, que estava com morte cerebral desde anteontem depois de ter sido espancada pela mãe, teve uma parada cardíaca ontem. O corpo da menina será enterrado hoje, às 8 horas, no Cemitério São Pedro, no centro de Londrina. A família havia autorizado a doação dos órgãos, mas apenas as córneas tinham condições de serem transplantadas.
Aline foi agredida na cabeça a golpes de martelo dentro de casa, na tarde de quarta-feira, no bairro Jardim Manella, em Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina) pela mãe dela, a dona de casa Claudete Fernandes da Silva, 28 anos. Segundo a polícia, depois de atingir a cabeça de Aline, a dona de casa ainda tentou enforcá-la.
O crime chocou os vizinhos da família que disseram à Folha que mãe e filha não tinham problemas de relacionamento. Eles contaram ainda que Claudete cuidava muito bem da menina, que era filha única. Ela vestia bem a menina, levava e buscava na escola. A Aline era uma criança muito boa e não dava motivos para aborrecer ninguém, contou a vizinha Cleonice da Silva.
Uma outra vizinha, que não quis ser identificada, moradora no mesmo terreno que a família de Aline, disse que Claudete sofria de depressão, mas que nunca demonstrou ser uma pessoa desequilibrada. A única explicação que posso dar é que ela foi tomada por uma força maligna. A família nunca brigava, a menina era uma criança excelente e a mãe era uma mulher religiosa. Não tem explicação, disse. O marido desta vizinha foi quem socorreu a menina.
Aline tinha acabado de ser aprovada para a 4ª série na Escola Municipal Pedro Tkotz e havia entrado em férias dois dias antes de ser agredida pela mãe. Quando estava estudando ela passava o dia todo na escola. Os vizinhos contaram ainda que no dia que a mãe agrediu a filha, ninguém ouviu gritos de socorro. Depois de espancar a menina, a mãe ainda passou na casa de uma vizinha e avisou que estava indo para a casa de parentes no Distrito de Warta. Foi de lá que ela telefonou para outro vizinho e avisou que a menina estaria morta dentro de casa.
Claudete está internada na Clínica Psiquiátrica de Londrina, onde ela já esteve internada no ano passado. Se for indiciada por lesão corporal grave seguida de morte e, se for condenada, ela pode cumprir pena de 4 a 12 anos de prisão.


