Lampião e Maria Bonita, literatura de cordel e capoeira em japonês. A inusitada mistura linguística é fruto do intercâmbio da Universidade Estadual de Londrina (UEL) com a Universidade Meio, de Okinawa, Japão. Todo ano, a universidade japonesa manda uma turma de alunos de graduação de Cultura Internacional para um curso rápido na UEL.
Ontem, a aula, ministrada por uma professora da UEL, foi sobre o cangaço. Como não sabem a língua, um professor japonês serve de intérprete. ''Nós mandamos o programa com antecedência e eles escolhem o tema'', explica a diretora do Núcleo de Estudos de Cultura Japonesa da UEL, Maria Fusako Tomimatsu. Segundo ela, a cultura nordestina e, principalmente a capoeira, são disparados os temas de maior interesse dos alunos nipônicos. Esse ano, a turma tem 30 estudantes.
O interesse ficou claro no final da aula de ontem, quando foram sorteados chaveiros de areia colorida do Ceará. De alunos compenetrados e quietos, os japoneses se transformaram em uma turma barulhenta e em pouco tempo disputavam aos gritos os mimos em um jogo de pedra-papel-tesoura.
Das turmas que vem e vão, alguns alunos acabam ficando nas vagas de intercâmbio para um curso mais longo, de um ano. Um deles é Chikshi Nohara, 21 anos. Ele chegou a Londrina em abril e apesar de falar um pouco de português ainda tem bastante dificuldade para se comunicar. ''É difícil a língua e acompanhar o conteúdo'', diz.
Apesar das dificuldades acadêmicas, ele diz já ter aprendido um pouco sobre a cultura brasileira cuja melhor faceta, segundo ele, é a receptividade. Com muitos sinais e algumas palavras ele conta que aprendeu aqui a abraçar e beijar pessoas em troca do sisudo aperto de mão dos japoneses.
Hoje, os alunos japoneses vão retribuir a cortesia local com uma apresentação de artes marciais em frente ao Restaurante Universitário (RU). A apresentação está prevista para acontecer no horário de almoço.

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