Cordel ajuda no combate à dengue
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quarta-feira, 01 de abril de 1998
Lúcio Horta 
Milton DóriaPoesia educativaLuiz Melo, autor dos versos sobre prevenção à dengue: Cordel é uma linguagem que atinge as pessoasA Secretaria de Saúde do Estado de Sergipe resolveu adotar o trabalho do escritor Luiz Melo, professor do departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), para auxiliar nas campanhas de combate ao mosquito transmissor da dengue. Em janeiro, o secretário de Saúde daquele Estado conheceu a literatura de cordel produzida por Melo e percebeu que ela poderia ser importante no processo de conscientização dos sergipanos sobre a doença. O livro com o texto Como combater a dengue deve começar a ser distribuído este mês.
O secretário achou que a utilização do cordel é valiosa porque trata-se de uma linguagem que atinge as pessoas, comenta Luiz Melo. No texto, ele explica em forma de versos o que é a dengue, como a doença é transmitida, quais são os sintomas, a forma de prevenção e também os perigos de uma epidemia. O professor aponta ainda que esta não é a primeira vez que seu trabalho é utilizado em campanhas educativas. Em Londrina, por exemplo, as escolas já adotaram um cordel sobre a história de Zumbi dos Palmares para utilizar em sala de aula. Melo também já escreveu, entre outros temas, sobre o cólera e os problemas dos deficientes físicos.
Luiz Melo - que é sergipano, nascido na capital Aracaju - diz que teve contato com o cordel quando tinha 5 anos de idade. Fiquei fascinado, recorda. No entanto, ele só começou a produzir os próprios textos 15 anos atrás, como instrumento de resgate da cultura e da cidadania dos negros no Brasil. Desde então, já publicou mais de 20 livros, além de outros textos espalhados pelo País. Também tem cordéis traduzidos para o francês - onde o cordel é chamado de littérature de ficelle - e publicados na França e na Suíça.
Titular na disciplina de Folclore e Cultura Brasileira da UEL, Luiz Melo lembra que o cordel é um exemplo de literatura oral trazido pelos portugueses ao Brasil, ainda no século 17, e que se adaptou muito bem ao Nordeste, onde a presença de africanos era grande. Na África - ele explica - a cultura oral também é bastante difundida. O nome cordel foi adotado no País porque os textos, na época, eram expostos ao público pendurados em cordéis, ou cordas.
Além do trabalho para o Estado de Sergipe, Luiz Melo também se colocou à disposição da Fundação Nacional da Saúde (FNS), via Internet, para prestação de serviços, já que os casos de dengue estão surgindo em todo o País. Mas ainda não obtive resposta, lamenta. Em Londrina, ele acrescenta, as campanhas de prevenção feitas em jornal são adequadas, mas o cordel também poderia ser apresentado como complemento eficiente.


