Coral de surdos emociona
Lino Ramos
de Londrina
O coral do Instituto Londrinense de Educação para Surdos (Iles) chamou a atenção dos clientes do Shopping Royal Plaza, no centro de Londrina. O grupo de 20 crianças interpretou quatro músicas, o suficiente para emocionar os parentes e amigos que acompanharam o espetáculo.
Sempre me emociono quando minha filha está cantando, disse a dona de casa Aparecida Tosta, de 31 anos, enquanto enxugava as lágrimas. Segundo ela, a filha Alessandra, de 13 anos, está na 8ª série e desde a 5ª participa do coral. Aparecida Tosta aconselha quem tem um filho com problemas de audição a procurar uma escola especializada. O mais rápido possível, recomendou.
Segundo os instrutores, a música tem uma importância fundamental no aprendizado de uma pessoa surda. A professora de surdos, Honor Alves Capucho, 53 anos, foi prestigiar a apresentação da filha Vanessa Rosa Sugahara, 13 anos. A música é fundamental porque o deficiente auditivo é uma pessoa como outra qualquer, mas que usa a linguagem dos sinais para se comunicar. eles gostam de música e de cantar.
Honor Capucho conta que a filha possui um resíduo auditivo e percebe a marcação do som. Nas apresentações do Coral, a música que acompanha o espetáculo é reproduzida realçando os sons graves para ajudar os alunos a perceberem a vibração do som.
A professora explicou que a música auxilia o deficiente auditivo a desenvolver a fala, pois ajuda no controle da dicção e respiração, a fala articulada. Desde que entrou no coral do Iles, Vanessa Sugahara aumentou seu interesse pela música e nesta semana pediu um CD com a trilha sonora da novela Terra Nostra.
A fundadora do Iles, Rosalina Lopes Franciscon, acompanhou a apresentação do coral e lembrou que fundou a entidade há 40 anos com o marido, Odésio Franciscon, falecido em agosto deste ano. Rosalina explicou que o Iles está atendendo mais de 200 alunos, desde bebês até pessoas que fazem o 2º grau. Além do ensino regular, a clientela do Iles é atendida com dentistas e otorrinolaringologistas. Para os ouvintes, quem canta reza duas vezes. Os surdos aprendem fonema por fonema e para emitirem a voz fazem um esforço muito grande. Eles cantam com as mãos, com a mente e com o coração, explicou.
Segundo Pedro Scucuglia, da U.P Publicidade, o Royal Plaza está procurando valorizar os talentos da cidade. Além do Iles, se apresentaram na quarta-feira os corais da Escola Maria Irene Vicentini Theodoro, do Jardim Eldorado (zona leste), e o coral infantil e conjunto de sopros do Colégio Maxi. A maioria das crianças do Eldorado nunca entrou num shopping e hoje foi atração, comentou. A apresentação aconteceu no início da noite de quarta-feira.





