Coração novo, vida nova
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sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Não fosse pela máscara no rosto, seria difícil dizer que Ana Lívia Santana, de 6 anos, passou há pouco tempo por um transplante cardíaco. Depois de sete meses internada no Hospital Infantil da Santa Casa de Londrina, a primeira criança a receber um coração no interior do Estado teve alta ontem com festa. Ao todo, foram 217 dias de internamento, sendo 100 dias só de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Moradora de Lidianópolis, município a 145 km de Londrina, ela escolheu um vestido branco, de "princesa", maquiagem e esmalte nas unhas para marcar a saída do hospital. Confraternizou com a equipe que a atendeu e agradeceu o tratamento recebido. "Obrigada por me curarem", disse ela, ao lado da mãe, Natania Renata de Souza Santana, de 24 anos. Elas permaneceram juntas no hospital ao longo desses meses e estabeleceram uma relação de amizade com médicos e funcionários. "Vou sentir falta daqui", comentou a menina. A primeira coisa que ela queria fazer ao chegar em casa era brincar de bonecas em seu quarto.
Natania relatou que, até dezembro do ano passado, a vida da família transcorria normalmente. Ana Lívia aparentava ter uma saúde boa, até passar mal com vômitos e dores na barriga. "Ela chegou a ficar internada sete dias na UTI, em Ivaiporã, antes de termos o diagnóstico", recordou a mãe. Já em fevereiro, em Londrina, Ana Lívia e os pais descobriram que ela tinha uma miocardite, inflamação no coração possivelmente causada por um vírus. O problema causou um grau avançado de insuficiência cardíaca e o transplante se apresentava como a única saída.
Foram quatro meses de espera até que surgisse um doador. O órgão veio de uma adolescente de 16 anos, vítima de um atropelamento em Joinville (SC). Toda a operação durou quatro horas desde a retirada do órgão e transporte aéreo ao transplante. Cento e vinte profissionais foram envolvidos na ação, além de 20 batedores da Polícia Militar, que escoltaram o novo coração de Ana Lívia até o hospital onde a cirurgia aconteceu.
Menos de 12 horas depois do procedimento, a criança acordou, chamou pela mãe e pediu suco de maçã. O cirurgião cardíaco Luiz Takeshi, um dos médicos responsáveis pelo transplante, observou que a recuperação de Ana Lívia está dentro do esperado. Ele disse que a menina poderá levar uma vida normal daqui para frente, embora o acompanhamento médico seja necessário para a vida toda. "Ela precisará fazer uso contínuo de medicamentos imunossupressores. Por enquanto, voltará ao hospital semanalmente", pontuou.
"É maravilhoso sair do hospital com ela, só tenho a agradecer a família que doou o coração. Se não fosse isso, ela não estaria aqui", enfatizou Natania. A psicóloga que acompanhou a menina, Eliane Ferreira da Silva, contou que Ana Lívia ajudou muito no tratamento. "Ela é muito criativa, todos os dias me propunha brincadeiras diferentes, o que era muito importante para darmos suporte ao que ela estava passando", afirmou a profissional.
Além do caso de Ana Lívia, o primeiro envolvendo crianças no interior, a Santa Casa já fez 35 transplantes cardíacos em adultos. O primeiro deles foi em 1994. O hospital também faz transplantes de rim desde 1985.


