Coração novo, vida nova
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segunda-feira, 02 de maio de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Cambé - No último dia 26 de março, Altamiro Gomes Barbosa apagou as velinhas de 53 anos. Uma comemoração que, para ele, não poderia ter um gostinho mais que especial. ''Durante anos, convivi com a angústia de saber que meu coração poderia parar a qualquer momento, mas agora vivo com o sentimento de que Deus me deu vida nova, através da bondade de uma grande família'', diz.
E é com esse clima de alívio e felicidade que Altamiro começa a contar sua história. Além de ser uma grande lição de vida para muitas pessoas, ela mostra que é possível haver esperança, em meio ao sofrimento da morte. ''Meu telefone tocou e, ao escutar o doutor, meu coração acelerou e eu fiquei totalmente confuso'', conta ele, morador de Cambé (Norte), que em dezembro de 2010 recebeu a tão esperada notícia de que um novo coração estava a caminho de Londrina.
Vindo de uma família de sitiantes, Altamiro sempre teve vitalidade para trabalhar na roça, ser mecânico, jogar bola aos finais de semana e criar cinco filhos. Porém, aos 45 anos, se viu diante de um problema de saúde, que demorou a ser diagnosticado. ''Todo mundo achava que era um problema no pulmão, mas um médico de plantão no HU passou por mim, olhou meu raio-x e disse que a causa era outra: eu tinha uma dilatação do miocárdio (músculo cardíaco que reveste o coração)'', lembra.
Após essa notícia, a vida de Altamiro mudou. Ele foi afastado do trabalho, passou a depender da mulher Dulce para as tarefas básicas do dia a dia e entrou para a fila de transplantes.
Luz forte
Os últimos dias de 2010 foram marcados por idas e vindas ao hospital. Muito fragilizado, Altamiro já estava perdendo a visão e teve princípio de infarto. Ele conta que os médicos diziam que seu coração podia parar de uma hora para outra, pois ele estava com apenas 17% de funcionamento, sendo o limite 10%.
Sem muito o que fazer, Altamiro recebeu alta do hospital para passar o Natal em família e resolveu ir para a chácara em Alvorada do Sul (Norte). Na volta, o celular tocou. ''O doutor disse que tinha uma boa notícia. Ele falou que tinha um coração com o meu perfil.'' A cirurgia foi realizada na Santa Casa de Londrina, no dia 28 de dezembro e a doadora foi uma jovem de 26 anos, que morreu em Cascavel (Oeste).
''Quando abri os olhos e vi uma luz forte, achei que tinha morrido. Fechei os olhos, mas escutei uma enfermeira falando comigo. Na hora, pensei: estou vivo. Foi a sensação mais gostosa que já tive'', conta Altamiro, que nesse momento só lembra de ter agradecido a Deus.
Agradecimento
Hoje, quatro meses depois, comemora a boa saúde. ''Ainda tenho que ter muito cuidado para não pegar nenhuma gripe ou infecção, mas tenho ido ao médico constantemente e estou muito bem. Aos poucos, vou retomando minhas atividades'', afirma Altamiro, que agora, está ansioso em conhecer a família da doadora. ''Os médicos me pediram um prazo, até porque será um encontro de fortes emoções. Mas hoje, se eu pudesse encontrá-los, diria que não existe um agradecimento pelo o que fizeram, mas que eles podem ter certeza que não canso de pedir que Deus os abençõe'', revela.
E entre emoções e bom humor, Altamiro faz planos para o futuro e diz que quer recomeçar a vida como um garoto. ''Quero correr atrás de uma bola e voltar a trabalhar como mecânico. Eu só não quero começar a falar fino e sentir o coração bater mais forte ao ver um bonitão'', brinca ele, ao lembrar que carrega, com muita alegria, o coração de uma moça.


