Coração acelerado e em risco
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quinta-feira, 17 de março de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
O trabalhador Esmael Malaquias Lopes, 47 anos, sempre gozou de boa saúde. É por isso que ele não imaginava que o serviço de porteiro no Terminal Urbano (Área Central) o levaria ao consultório médico. ''Agora, toda vez que fico nervoso, preciso tomar o remédio para controlar a pressão alta. Só fui descobrir que era hipertensão quando procurei um médico. Ele me disse que era consequência do meu trabalho'', conta ele, que há 10 anos, acompanha de perto a movimentação de entrada e saída dos ônibus, além de ficar exposto à poluição da Avenida Leste-Oeste, uma das mais movimentadas em Londrina.
''O barulho e a poeira do trânsito me incomodam, pois sei que está comprometendo minha saúde, mas é meu trabalho. Poderia ficar na cabine, que é fechada, mas fica difícil agir rápido quando alguém tenta entrar no terminal sem pagar. É melhor ficar aqui fora mesmo'', justifica.
O caso de Esmael representa bem o que uma pesquisa da Hasselt University, na Bélgica, revelou recentemente. O estudo aponta que trânsito, poluição, café, fortes emoções, entre outros fatores, podem aumentar consideravelmente o risco de infarto cardíaco (entupimento da artéria do coração), além daqueles que todos já conhecem muito bem, como tabagismo, obesidade, sedentarismo etc.
Para chegar a esta conclusão, o estudo contou com a participação de 700 mil pessoas e cruzou fatores de risco para infarto com a exposição da população à eles. Os resultados revelaram que a poluição provoca maiores chances de a pessoa sofrer um infarto do que o consumo de cocaína, pois a poluição, individualmente, aumenta apenas 2,9 vezes o risco de infarto, em comparação com a cocaína, que aumenta em 23 vezes. Porém, como a exposição ao ar poluído atinge todas as pessoas e apenas uma parcela pequena da população faz uso da droga (0,04%), concluiu-se que a poluição desencadeia muito mais infartos.
Risco
Para o cardiologista Fabrício Parra Garcia, esses dados devem ser encarados com preocupação. ''Estamos acostumados com os fatores clássicos e acabamos não dando tanta importância aos demais, mas é muito importante as pessoas terem conhecimento, pois a longo prazo, eles podem sim, causar infarto'', revela.
De acordo com o especialista, o trânsito é um dos principais causadores de doenças cardiovasculares, pois agrega dois fatores de risco: o estresse e a poluição. ''O estresse vai gerar hipertensão, aumentando a frequência cardíaca e os poluentes vão atingir o pulmão e a corrente sanguínea, estreitando os vasos e por fim, gerando diversos problemas cardíacos. Então, podemos dizer que a poluição tem um efeito direto no sistema cardíaco'', afirma.


