A indústria fonográfica que se cuide! É cada vez maior o número de pessoas que aderem ao uso de CDs piratas ou copiados pela internet. ''Qualquer criança baixa música da internet hoje'', confirma o coordenador do curso de Computação do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), Lupércio Luppi. O fato veio à tona com a operação que apreendeu 10 mil CDs piratas no camelódromo de Londrina, nas avenidas São Paulo e Leste-Oeste, na última quarta-feira.
A facilidade em adquirir o produto e o comércio aberto é observado e comentado em qualquer ponto de Londrina. Sentados em frente à Biblioteca Pública, ontem à tarde, quatro amigos conversam e um deles empresta seis CDs originais para que um possa copiar. ''Curto muito e posso deixar as músicas gravadas dentro do computador até que possa comprar os CDs virgens e copiar'', diz o estudante Thiago Fernandes, 19 anos. Londrina não é diferente do resto do planeta, onde as vendas de discos piratas de música cresceram quase 50% no ano passado, chegando a 950 milhões de unidades e representando um mercado de US$ 4,3 bilhões.
Segundo Luppi, atualmente a maioria dos computadores já vem com gravador de CD. ''Os internautas que não têm, podem adquiri-la por R$ 250,00 em média'', esclarece ele. Neste caso, não existe contravenção. No Brasil, explica o coordenador da faculdade de computação, a ilegalidade está em ferir a lei de direitos autorais dos artistas. ''Em países do Sudeste Asiático, como China e Índia, as cópias de discos de músicas não são ilegais'', comentou.
Para se ter uma idéia, hoje, no mundo, as vendas de aparelhos para tocar as canções baixadas da Web chegam a 7,2 milhões de unidades comercializadas em 2002. A expectativa é de que em quatro anos este número pule para pelo menos 30 milhões de dispositivos. ''A facilidade é muito grande. Em qualquer loja de informática você compra uma gravadora de CD'', ressalta o técnico em informática, Djalma Leatti.
Para a auxiliar de enfermagem Shirley Sert, 42 anos, o fator principal do uso de produtos piratas, principalmente jogos de computador para o filho, é o preço. Embora considere ilícito, ela acha que ''a realidade brasileira só nos permite comprar pirateado por conta do alto custo do produto original''.
Nem todos pensam da mesma maneira. A originalidade é condição indispensável para o estudante Rubem Rosa Alves Filho, 18. ''Só compro original devido a qualidade e, também, para valorizar o trabalho do artista'', diz enfático. O colega Bruno Devides, 18, conclui: ''Como músico, sei o quanto isto influi na vendagem dos CDs originais''.

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