Localizada em Primeiro de Maio, a Fazenda Agropecuária Neblina, mais conhecida como Copersucar, está invadida por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) há dois meses. Esta foi a segunda ocupação desde setembro. Só que mesmo com a decisão judicial, que concedeu liminar de reintegração de posse aos proprietários, os invasores continuam no local.
A proprietária Débora Carvalho explicou que a fazenda é completamente mecanizada e reconhecida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como produtiva.
Os donos tentaram contato com o secretário estadual da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, autoridade responsável por fazer cumprir a ordem de desocupação, datada de 8 de fevereiro, mas não foram recebidos. Enquanto isso, os proprietários e os empregados da fazenda não conseguem voltar para as suas próprias casas. Os funcionários estão morando em dependências alugadas em Primeiro de Maio.
Cerca de 50 famílias estariam atualmente no local. De acordo com a dona da propriedade, móveis foram destruídos, animais mortos e roupas da família e dos funcionários roubadas.
Nem mesmo a definição de uma multa diária motivou o Governo do Estado a cumprir a ordem da Justiça.
O advogado dos proprietários, Sebastião Ferreira, alega que crimes estariam sendo cometidos dentro da fazenda e que, inclusive, alguns invasores estariam com mandados de prisão preventiva expedidos. Ele conta que a Delegacia de Primeiro de Maio teria registrado uma tentativa de homicídio e que até um fuzil AR-15 estaria nas mãos dos integrantes do movimento.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública, a reintegração de posse da Fazenda Copersucar está na lista de espera, que é cumprida de acordo com um planejamento estratégico.
José Damasceno, membro da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), argumentou que estaria ocorrendo a ação de pistoleiros na área, o que inclusive teria viabilizado a primeira desocupação no final do ano passado. Ele alegou ainda que a fazenda foi ocupada por ser improdutiva.
O Incra informou que a pré-vistoria de documentos já foi realizada, mas ainda falta a vistoria de campo, que deverá ser feita até o final de abril. Os documentos mostram que a propriedade é produtiva, mas somente o trabalho de campo pode dar o parecer final.
O delegado José Vitor Pinhão, responsável pela delegacia de Primeiro de Maio, disse que quatro inquéritos foram abertos para apurar crimes supostamente ocorridos dentro da propriedade. Ele acrescentou que uma resolução recente da Secretaria de Segurança Pública determina que as investigações sobre conflitos agrários e crimes correlatos sejam investigados pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), em Curitiba.

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