Copel troca postos de atendimento por telefone
Telma Elorza
De Londrina
O fechamento do posto de atendimento da Copel na Avenida Duque de Caxias, no Jardim Petrópolis, zona sul de Londrina, e o desencontro de informações através do telefone para atendimento aos consumidores da companhia revoltou a esteticista Maria do Carmo Caetano, 45 anos, moradora daquele bairro. A esteticista reclamou à Folha que não conseguiu atendimento para parcelar sua dívida com a empresa, porque os atendentes foram mal-educados pelo telefone, se negando a prestar informações. Se eles são despreparados, não deveriam trabalhar na área de atendimento ao público, disse.
Segundo ela, o problema começou quando procurou o posto de atendimento, na última segunda-feira, para pedir prazo para pagar as duas faturas em atraso, no valor total de R$ 68,00. Já estive nesta situação antes mas era só conversar no posto que eles davam um prazo para acertar tudo. Só que eu cheguei lá e estava fechado, com uma faixa dizendo que a empresa colocou o telefone 0800-437196 para melhor atendimento, contou.
Maria do Carmo disse que, ao voltar para casa, ligou para o número e explicou sua situação. A atendente, que eu não guardei o nome, foi muito mal-educada. Disse que não tinha mais esta história de parcelar dívida, que a empresa não estava mais negociando e que eu ou pagava ou ia ter a luz cortada, afirmou. Com problemas cardíacos e leucemia, a esteticista afirmou que está enfrentando dificuldades financeiras.
Segundo Maria do Carmo, através de uma nova ligação, desta vez para o 120, ficou sabendo que a Copel estaria fechando todos os postos de atendimento. Depois de insistir muito, a moça disse que eu poderia procurar o posto da Rua Pará (centro da cidade). Lá, segundo ela, talvez alguém me atendesse, contou. Maria do Carmo, porém, não pode ir conferir a informação. Eu não tinha R$ 0,90 para pagar o ônibus. E, com medo que ninguém resolvesse meu caso, peguei o dinheiro que tinha para comprar meus remédios e fui pagar as contas, disse.
Para ela, é absurdo que uma estatal como a Copel se negue a negociar dívidas. Eu só queria pedir um prazo para, no máximo, até segunda-feira, quando devo receber um dinheiro. Agora vou ter que ficar sem meus remédios até lá, passando mal por isto.
O superintendente-regional de distribuição da Copel, Elsson Marcos Spigolon, explicou que os postos de atendimento vêm sendo fechados gradativamente nos últimos anos já que a empresa disponibilizou o atendimento telefônico gratuito 24 horas, que está funcionando há dois anos. Os funcionários foram remanejados para este serviço, que é uma forma mais rápida e fácil para o usuário se comunicar conosco e resolver seus problemas, explicou. Hoje a Copel mantêm em Londrina apenas dois postos de atendimento: o da Rua Pará e um na Avenida Saul Elkind, na zona norte da cidade.
De acordo com ele, a Copel não se recusa a negociar e parcelar dívidas de seus consumidores. Nós entendemos que há situações em que é impossível manter os compromissos em dia. Por isto estamos aberto a negociações sempre que for necessário. E os atendentes estão autorizados a efetivar as negociações por telefone, explicou.
Mas para o caso de Maria do Carmo Caetano, Spigolon não teve explicação. Cada caso é um caso. É preciso ver se é um cliente repetitivo, que sempre deixa atrasar as contas. Nestes, geralmente não há negociação, afirmou. Segundo ele, na segunda ligação a consumidora foi orientada corretamente. Ela poderia procurar o posto da Pará que, com certeza, seria atendida, justificou.





