Copel reúne empresários e orienta economia de energia
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terça-feira, 11 de março de 1997
Adriana De Cunto 
Cerca de 130 representantes de grandes indústrias do Norte do Paraná estiveram reunidos em Londrina ontem, durante todo o dia, para discutir como economizar energia elétrica. O 1º Workshop sobre Eficiência Energética do Paraná, promovido pela superintendência regional da Copel e pela Eletrobrás, aconteceu no hotel Crystal.
O objetivo do encontro, segundo o superintendente regional da Copel, Elmar Lopes, é sensibilizar o empresário da área industrial sobre a importância de evitar o desperdício de energia. Pesquisas feitas pela Eletrobrás apontam que o setor industrial fica com 50% da energia elétrica consumida no Brasil - o setor comercial consome 20% do total e as residências, 15%. O restante da energia é utilizado por serviços de iluminação pública, empresas públicas, área rural, entre outros.
Elmar Lopes comenta que os grandes vilões dos programas de uso racional de energia, dentro da classe industrial, são os processos industriais inadequados, os equipamentos antigos e as instalações elétricas inapropriadas. Para o gerente-adjunto da área de Planejamento da Eficiência Energética da Eletrobrás, Marcos Luiz Rodrigues Cordeiro, mais da metade (60%) da energia consumida pelas indústrias brasileiras poderia ser economizada. E completa: a média de perda de energia elétrica no Brasil é de 20,5%, enquanto o índice aceitável de perda é de 10%. Este número fica mais preocupante quando traduzido em cifra: R$ 2,4 bilhões desperdiçados com a energia elétrica mal aproveitada no Brasil, em 1995.
Para o workshop de ontem foram convidados os maiores consumidores da Copel do Norte do Paraná, entre eles a Companhia Cacique, Açúcar e Álcool Bandeirantes, Shopping Catuaí, Braswey, Café Corol, Viação Garcia, Viação Vale do Ivaí, Florâmica, Itap Embalagens, Lorenz, Cocamar, Aspen Park, Mercadorama, Romahnhole, Ceval, Multimetal e Nortox.
As empresas receberam orientação de técnicos da Eletrobrás sobre (e de outars empresas) sobre metodologia para a realização de diagnósticos; resultados obtidos com a melhoria da eficiência energética; casos de sucesso nas diversas classes de consumo e aplicação de tecnologias na melhoria da eficiência energética.
Elmar Lopes diz que a Copel e a Eletrobrás não se preocuparam só em mostrar a necessidade de economizar energia. Mas também foram apresentadas linhas de crédito do Banco do Brasil, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da própria Eletrobrás para compra de equipamentos mais modernos. Segundo Cordeiro, pesquisas demonstram que um motor obsoleto pode consumir até o dobro de energia de um equipamento moderno.
O combate ao desperdício de energia elétrica começou, de maneira mais efetiva no Brasil, em 1986, quando o governo lançou o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). A idéia, segundo Cordeiro, é que até o ano 2015 sejam economizados 130 bilhões de quilowatts-hora, evitando assim a construção de duas usinas hidrelétricas do porte de Itaipu.
Elmar Lopes ressalta que o incentivo à economia de energia não quer dizer que a Copel vai parar de construir usinas hidrelétricas. O que as pessoas precisam entender é que um quilowatt conservado custa infinitamente menos que um quilowatt a mais, explica. Ele anuncia que este ano serão licitadas a construção de duas usinas no rio Tibagi, perto de Jataizinho: a Usina de Jataizinho e a de Cebolão, com capacidade para 155 megawatts e 168 megawatts, respectivamente. A previsão é que a construção seja concluída em 2001 e só a usina de Jataizinho, segundo ele, teria condição hoje de suprir a demanda de Londrina.
Entre as empresas participantes do workshop, estavam representantes da Cocamar, indústria de Maringá que, após um ano e meio de combate ao desperdício de energia, já conseguiu reduzir o consumo. O engenheiro mecânico da Cocamar, José Uebi Maluf, explica que a idéia foi reduzir o consumo de energia no horário em que a tarifa é mais cara. Assim, o uso de equipamentos foi reavaliado e a empresa conseguiu diminuir 15% da demanda de energia contratada com a Copel. Maluf esclarece: Foi feito um trabalho de sensibilização com os funcionários e, nos horários de pico, desligamos alguns equipamentos. E tudo sem diminuir a produção.


