O diretor de Geração e Transmissão de Energia e de Telecomunicação da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), Raul Munhoz, afirmou ontem, em entrevista à imprensa, que a previsão é que as obras da Usina Hidrelétrica (UHE) Mauá, no Rio Tibagi, sejam iniciadas no próximo mês de novembro. ''Temos que cumprir o compromisso de oferecer energia a partir de janeiro de 2011, para isso é preciso que as obras comecem.''
Ele participou de uma audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Londrina, organizada pela Frente Parlamentar do Potencial Energético do Paraná, presidida pelo deputado estadual Tadeu Veneri (PT). Diversas vezes vaiado pela plenária, o representante da empresa paranaense ainda se comprometeu a oferecer todas as informações exigidas para que a licença ambiental da obra seja liberada.
''Até agora não foi apresentado nada e nós precisamos continuar o debate público até que a população esteja esclarecida sobre o caso'', ressaltou várias vezes o deputado em plenária. Ele se referia a uma lista de 70 itens irregulares apontados no primeiro Estudo de Impacto Ambiental apresentado ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Moradores locais, estudantes, representantes da comunidade científica e de órgãos públicos lotaram a Câmara ontem. Diversas faixas pediam a anulação da construção da usina. Os discursos e questões também, em sua maioria, se colocavam contra o empreendimento.
Para o promotor público federal João Akira, os impactos da instalação da usina ainda são desconhecidos pela maioria da população. ''E como diversas questões importantes não foram respondidas aqui hoje, pela falta dos órgãos competentes para isso, sugiro que outra audiência seja realizada.'' Ele se referia à ausência de representantes do IAP, órgão que está apreciando a última versão do Estudo de Impacto apresentado pelo Consórcio Energético Cruzeiro do Sul, formado entre Copel e Eletrosul para a construção e exploração da usina.
Akira afirmou que apesar do leilão para definir quem seria responsável pela construção da usina tenha sido realizado, a licença para execução da obra ainda não foi liberada. Este documento é imprescindível para o início da execução das obras.
Uma nova audiência deverá ser realizada, mas a data ainda não foi definida. Além do deputado estadual e do representante da Copel, compuseram a mesa de debate ontem representantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), do Ministério Público Federal, da Comissão Pastoral da Terra, da comunidade indígena, da Eletrosul e da Organização Não-Governamental Liga Ambiental.

mockup