Arquivo FolhaAmbienteO vertedouro em construção: obra é a primeira a cumprir a nova legislação ambiental brasileiraA indenização das terras que serão alagadas pela hidrelétrica de Salto Caxias estará totalmente concluída até 31 de julho. Até agora 70% dos atingidos foram ressarcidos. O anúncio, feito em reunião realizada terça-feira no canteiro de obras com os representantes das famílias atingidas, fez parte do acordo firmado em 14 de março, quando um grupo de representantes esteve em Curitiba participando de manifestações do Encontro Nacional dos Atingidos por Barragens.
Na reunião, os representantes da comunidade pediram à Copel a liberação de recursos para plantio imediato da safra de verão nas novas áreas, com assistência técnica. Os representantes da Copel, por sua vez, solucionaram dúvidas sobre a administração do processo de construção das residências - no momento mais de 30 casas estão com as obras em andamento.
A empresa informou que está estudando soluções para os poucos casos pendentes das primeiras etapas de desapropriação. No total serão indenizadas 1.120 propriedades em todo o reservatório de Salto Caxias, somando 4.052 alqueires. Até agora a empresa investiu cerca de R$ 45 milhões na compra dessas terras e ainda vai gastar mais, devendo superar os R$ 50 milhões. A Copel também já comprou mais de 1.400 alqueires de áreas remanescentes - relativas a terras que, apesar de não serem totalmente atingidas pelo reservatório, não oferecem mais condições de sustento para as famílias.
Na reunião foram avaliados alguns dos programas sociais em andamento. Eles fazem parte do Projeto Ambiental Básico (PBA), cujo objetivo é minimizar os impactos causados pela obra, e que resultou na elaboração e execução de programas sociais, notadamente os de desapropriação e reassentamento de famílias de pequenos produtores.
A empresa também realiza um levantamento das atividades comerciais, produtivas e de transporte coletivo, entre outras, que serão afetadas pelo esvaziamento de algumas comunidades, a fim de indenizá-las segundo critérios que serão discutidos com a população. A Copel firmou acordo, por exemplo, com as prefeituras dos municípios atingidos para o reaproveitamento e remanejamento de funcionários, como os professores, indiretamente atingidos pela redução da população. A empresa estuda ainda a recomposição das comunidades não inteiramente atingidas pelo reservatório, com o objetivo de uni-las a outras na mesma situação e garantir o investimento para a reequipagem das novas sedes dessas comunidades.
Um outro programa desenvolvido pela empresa é a recomposição do sistema viário em torno do reservatório de Salto Caxias. Serão construídos 150 quilômetros de novas estradas e outros 150 serão recuperados em parceria com as prefeituras.
Todos esses programas integram o PBA, cujos investimentos somam mais de R$ 240 milhões. ‘‘Eles são fundamentais para viabilizar a execução do empreendimento dentro de um contexto que segue à risca a legislação ambiental, desenvolvendo políticas compensatórias aos impactos sócio-econômicos e sobre o meio ambiente’’, resume o engenheiro Antônio Fonseca dos Santos, gerente da Coordenadoria de Impacto Ambiental da empresa.

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