Copel fiscaliza ligações irregulares
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terça-feira, 20 de janeiro de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) está se readequando para combater o furto de energia por assinantes comerciais e residenciais. Por dia, são registrados dez casos de sonegação de quilowatts (kw/h) consumidos através de adulteração nos medidores de energia. A assessoria de imprensa da Copel admite que existe uma ''indústria da fraude'', que ficou mais evidenciada nos últimos anos com o corte de funcionários da estatal, pouco antes de anunciada a tentativa de privatização.
Dois tipos de furto de energia são os mais fiscalizados pela Copel. O mais conhecido é o chamado ''gato tradicional''. Esse tipo de furto ocorre geralmente em áreas de invasão, onde a Copel não pode fornecer o serviço por se tratar de lote irregular. O outro tipo é o chamado ''gato elaborado''. Ele consiste na adulteração do equipamento de medição. Nesses casos, o consumo de energia elétrica da residência cai sensivelmente de um mês para outro.
Nos casos de flagrante desse tipo de adulteração, o usuário tem que pagar a energia consumida gratuitamente. A Copel negocia em até 20 vezes o valor da dívida. Os consumidores que oferecem resistência são denunciados por furto de energia elétrica na Polícia Civil e podem responder processo criminal na Justiça. Na maioria das vezes, existe uma negociação entre o consumidor e a Copel.
Um dos casos que veio a público recentemente foi o do secretário especial de Estado para Relações Internacionais e Cerimonial, Jacir Bergmann II. Ele mora numa mansão no bairro Ecoville, em Curitiba. Nos meses de julho e agosto de 2003, ele pagou apenas R$ 63 de tarifa de energia. Bergmann mora num local com piscina e quadra de tênis, ambas com iluminação especial. O fato chamou a atenção. Uma matéria publicada no Jornal do Estado no dia 26 de agosto do ano passado levantou o assunto. Bergmann disse que nem esperou a fiscalização da Copel. Ele mesmo pediu uma verificação nos medidores de energia de sua residência. ''Fui eu mesmo quem pediu o levantamento na minha casa da situação da luz que estava sendo consumida. Não houve má-fé ou dolo no meu caso. Acho que quem deveria ter cuidado disso era a própria Copel'', afirmou ele.
Bergmann nega que tenha verificado a alteração no valor da tarifa de energia elétrica. ''Eu não reparei. Posso garantir que não houve qualquer irregularidade no meu caso'', apontou. No entanto, a perícia demonstrou que ''o defeito'' no relógio ocorria desde outubro de 2002. O secretário terá que desembolsar para pagar a dívida com a Copel cerca de R$ 6,2 mil dinheiro que será pago em 20 parcelas de R$ 310,50.


