Copel elimina 'gatos' na Zona Norte
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de junho de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Ontem pela manhã, equipes da Copel visitaram as famílias que invadiram uma área do Conjunto Vivi Xavier, Zona Norte de Londrina. Segundo moradores da invasão batizada como Schekinah, o objetivo dos funcionários da companhia era retirar as ligações ilegais de luz - popularmente conhecidas como gato - que abastecem os quase cem barracos e casas construídos no local.
A dona-de-casa Andreia da Silva Camargo, esposa do presidente da associação de moradores do Schekinah, Ailton Natalino da Silva Souza, contou que os mesmos funcionários foram até o local, na manhã anterior, e ameaçaram retornar com a polícia se os gatos não fossem desligados.
''Um morador viu que eles iam cortar o gato e gritou para os outros moradores. Como estavam sem a polícia, eles ficaram com medo e foram embora'', lembrou a dona-de-casa Simone Ferreira, que vive no terreno com o marido e três filhos desde a invasão, em janeiro do ano passado.
Andreia disse que as famílias sempre tiveram problemas com relação às ligações clandestinas de água e luz por causa de denúncias de vizinhos. ''Fizemos um acordo com a Sanepar e há dois meses a empresa instalou dois relógios para computar o gasto das famílias com água.'' afirmou a dona-de-casa.
Segundo ela, os moradores já procuraram a Copel, que se recusou a fazer um acordo semelhante. ''A gente não quer pegar luz de graça não. Já basta sofrer discriminação. A gente é muito mal visto. O gato é uma vergonha para nós. Pensa que não é humilhante morar nesse lugar?'', desabafou Andrea.
Como a vizinha Simone, ela nem dorme à noite, com medo de ficar no escuro. ''Querendo ou não é ruim o 'rabicho', mas pior ficar sem chuveiro no frio e sem geladeira'', confessou Andrea, ressaltando que a falta de energia afeta principalmente idosos diabéticos, grávidas e pessoas doentes que também moram no Schekinah, como a dona-de-casa Lucinete Ferreira Gomes Oliveira.
Ela sofre de neurocisticercose - tem uma solitária alojada no cérebro - e toma três vezes ao dia um remédio que precisa ser conservado em baixas temperaturas. ''O médico não quer falha para não avançar a doença, mas sem geladeira não sei não'', lamentou Lucinete.
Ela morou por oito meses num barraco de madeira, até construir, com ajuda da família, a casa de alvenaria que divide com o marido e três filhos. ''Pagar a gente quer e queremos também resolver essa situação logo.''
De acordo com o engenheiro eletricista Antonio Proença, gerente do Departamento de Medição de Energia Norte da Copel, o trabalho de readequação da rede de baixa tensão de Londrina teve início no ano passado e já contemplou as zonas Sul e Oeste da cidade.
''As ligações clandestinas causam quedas de energia e levam à quebra de aparelhos como televisores e geladeiras'', explicou Proença. Segundo ele, ''os gatos vão no bolo da readequação da rede, para que todo mundo tenha acesso à energia de qualidade e à fatura de consumo''.
Nas visitas às residências, a equipe da Copel faz o recadastramento da família e orienta os consumidores em como otimizar o uso da energia. A empresa também realiza uma campanha de doação de lâmpadas fluorescentes para reduzir a conta de luz de famílias carentes.
''Há ligações clandestinas na cidade como um todo e não é só nas áreas de baixa renda, mas também nas zonas industriais e comerciais'', assinalou o engenheiro. Segundo ele, a readequação da rede de baixa tensão só envolve os bairros regularizados pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). ''A Copel não pode oferecer energia para áreas invadidas sem a aprovação da Cohapar'', informou Proença, concluindo que as famílias do Schekinah provavelmente ficarão sem energia num futuro próximo.


