Na última terça-feira, a Copel reuniu cerca de 40 proprietários de terras da região, que moram em Londrina, e que terão propriedades atingidas pela construção das usinas Jataizinho e Cebolão, ainda em fase de planejamento. Cada um dos proprietários recebeu antecipadamente um mapa delimitando - de forma aproximada - a propriedade de cada um e o quanto ela será atingida pelo lago do reservatório. O vereador Salvador Francisco (PSDB), ex-assessor da companhia, também participou da reunião.
Segundo a Copel, o encontro serviu para esclarecer as dúvidas dos proprietários em relação aos dois empreendimentos, sobretudo a usina hidrelétrica de Jataizinho, cujos estudos de viabilidade estão em fase mais adiantada. Além disso, falou-se também sobre os projetos ambientais que seriam desenvolvidos com a construção das duas usinas.
Uma das questões mais importantes levantadas pelos proprietários foi em relação às indenizações das áreas atingidas pelas barragens. A Copel explicou que, logo após a aprovação do projeto, serão formados grupos de estudo - reunindo técnicos da companhia e proprietários - para chegar a um preço comum, baseado na realidade do mercado imobiliário local.
Não haverá um critério único para o pagamento das terras invadidas. Cada particularidade será considerada, como por exemplo o tipo de cultura desenvolvida na terra, o tipo de terreno e se há ou não benfeitorias na propriedade - casas, cercas, sistemas de irrigação etc. Outro problema: se a área atingida for maior que 70%, por exemplo, inviabilizando o restante, a Copel (ou outra empresa que ganhar a concorrência para construir e operar as usinas) poderá pagar a indenização equivalente a toda a área. Por isso, será feito um cadastro detalhado de cada propriedade atingida pelas barragens.
A Copel procurou tranquilizar os proprietários: disse que não haverá calote e que os preços não serão subfaturados. O sociólogo Paulo Burian explicou que, quando se fala em construir usinas, a especulação imobiliária aumenta e muitos tentam comprar por menos o que vale mais. ‘‘Estamos aqui para tranquilizar. Existem leis que protegem quem é atingido por grandes empreendimentos.’’
A expectativa da Copel é que até o final deste ano o Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE) abra licitação para construção e exploração das duas usinas hidrelétricas - inclusive a própria Copel irá participar da licitação como concorrente. Quem oferecer energia elétrica ao menor custo ganha a concessão. Cada obra deverá demorar em torno de três anos e meio do início até a conclusão e custará cerca de R$ 200 milhões.
A Copel já terminou os estudos de viabilidade técnica e econômica. Só falta concluir o Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (Rima), que antes de ser enviado ao DNAEE deverá ser aprovado pelo Instituto do Meio Ambiente do Paraná (IAP). O Rima e os Estudos de Impacto Ambiental (EIAs) estão sendo produzidos por uma equipe de técnicos contratados pela própria Copel para conhecer a realidade ambiental da região atingida pelas barragens.
Segundo Burian, o mesmo encontro de terça-feira também foi realizado com proprietários de Jataizinho e também nas Câmaras de Vereadores de Assaí, Jataizinho e Ibiporã. Ainda faltam alguns anos para que as propriedades sejam atingidas, já que a formação do lago é a última etapa antes da operação dausina. Mas a idéia da Copel é fazer com que a população acompanhe cada etapa do processo.

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