A Copel confirmou ontem que suspendeu na última sexta-feira a operação da Usina de Apucaraninha, localizada em reserva indígena caingangue, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). Segundo a assessoria de imprensa da companhia, a medida é por tempo indeterminado e só será revogada em caso de melhora nas relações entre a estatal e a comunidade caingangue, que negociam um novo acordo indenizatório.

A alegação da companhia é que os três funcionários que trabalham na hidrelétrica (instalada bem próxima a aldeia) corriam risco de represálias por parte da comunidade cainguangue, insatisfeita com os resultados parciais da negociação com a Copel. Na segunda-feira, os índios tomaram conhecimento da proposta e consideraram baixos os valores do repasse a título de participação nos lucros obtidos com a geração da usina pela Copel.

Como forma de ter direito a uma fatia maior do bolo, os líderes caingangues querem agora também participação nos lucros com a distribuição de energia e uma revisão nos valores do contrato de arrendamento da área da reserva, que atualmente rende cerca de R$ 56 mil anuais aos índios, mais da metade gasto com a conta de energia que abastece a aldeia. A Copel diz desconhecer esta proposta e também afirmou que ainda não sabe oficialmente a avaliação dos índios sobre a proposta feita pelo seus negociadores.

A companhia garantiu que não haverá prejuízos na oferta de energia na região e tampouco no fornecimento da reserva, que continuará garantida mesmo com a desativação da unidade.

Sobre a contradição de se deixar de gerar energia em um suposto ambiente de escassez de fornecimento que vive o País, a Copel não considera que haja crise energética na região Sul. A assessoria de imprensa da companhia afirmou que o sistema brasileiro de distribuição está totalmente integrado e os 9,5 megawatts (potência instalada da hidrelétrica que equivale a 10% do consumo de uma cidade do porte de Londrina) que estão deixando de ser ofertados é suprido por outras unidades geradoras no Estado, inclusive Itaipu.

Os líderes caingangues estão se articulando para uma audiência em Brasília para obter apoio do governo federal na busca por uma indenização mais justa da Copel. Eles pretendem, com a ajuda de técnicos voluntários ligados a entidades civis, fazer um estudo independente sobre a geração e a distribuição da usina.

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