Londrina

Mário CésarPenumbraMari de Oliveira teve a ligação clandestina desligada há poucos dias: ‘É horrível ficar sem luz’A Copel deu prazo até o próximo dia 27 para que os moradores do loteamento Tarobá 1 (zona sul) regularizem as ligações clandestinas de energia elétrica - as populares ‘‘gambiarras’’. Depois desta data, a empresa promete desligar as ligações irregulares. A maioria das famílias que já ocuparam os lotes tinha ‘‘puxado’’ energia da rede instalada no jardim Tarobá. Muitos deles desistiram da luz depois que a Copel alertou sobre os riscos de acidentes e agora aguardam no escuro por uma solução.
O loteamento tem aproximadamente dois anos e meio e foi feito pela Construtora e Loteadora Daher. Segundo alguns moradores, 50 famílias ocuparam os lotes antes mesmo do bairro ser liberado, porque grande parte não aguentava pagar aluguel e a prestação do terreno. A Copel já aprovou, no dia 4 de julho, projeto de instalação elétrica do Tarobá 1, mas até agora a construtora não começou a obra.
O gerente de distribuição da Copel, Artur Nishikawa, esteve reunido no último sábado com os moradores para discutir a situação. Ele diz que, caso a Construtora não comece a instalação da rede elétrica até o final do mês, os moradores têm a opção de contratar a Copel. Ou seja, a comunidade terá que pagar pelo serviço.
‘‘Nós demos um prazo e alertamos para a situação de risco, pedindo para que todo mundo tome cuidado’’, explica Nishikawa. Ele garante que depois do dia 27, a Copel vai obrigar os moradores a desistirem da ligação clandestina. ‘‘Não podemos tolerar esta situação. O maior problema é o risco de acidente.’’
Waldemar Arndt é dono de uma fábrica de móveis já instalada no Tarobá 1. Ele contratou um eletricista para fazer uma ligação aérea de energia para poder colocar a fábrica em funcionamento. ‘‘Eu pagava aluguel no jardim Califórnia e ainda a prestação daqui. Não teve jeito, tive que construir o barracão e mudar’’.
Waldemar aceita pagar a instalação para a Copel. Na sua opinião, os moradores não têm direito de reclamar de pagar direto para a Copel, porque o loteamento não estava liberado para construção e moradia. ‘‘O prazo para a empresa colocar a rede elétrica termina em janeiro.’’
A professora Mari de Oliveira Bezerra Dias não concorda. Ela acha que a instalação da rede elétrica é responsabilidade da Daher. Mari Dias conta que há dois anos, quando comprou o lote, o vendedor teria dito que em dois ou três meses o empreendimento estaria liberado. Há poucos dias a luz da casa de Mari foi desligada pelo proprietário da casa onde eles ‘‘puxavam’’ energia.
‘‘É horrível ficar sem luz’’, diz a professora, que mora com o marido e dois filhos. Para amenizar a escuridão, Mari Dias colocou um lampião e acende várias velas pela casa. A televisão, emprestada pelo pai, funciona com bateria. E a geladeira já está desligada há vários dias.
A Folha tentou entrar em contato várias vezes, no período da manhã, com a Construtora e Loteadora Daher. Mas ninguém atendeu aos telefonemas.

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