Copel contesta pesquisadores
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de março de 1999
Adriana Ribeiro 
O manifesto dos três pesquisadores da UEL e da UEM também causou estranheza na Copel, responsável pelos estudos de viabilidade das usinas da Bacia do Rio Tibagi. O departamento jurídico da estatal está estudando a medida que adotará para tentar sanar os prejuízos causados pelas declarações dos pesquisadores. Antônio Fonseca dos Santos, coordenador de Impactos Ambientais da Copel, diz que inicialmente a empresa encaminhará uma correspondência para Kimiye, Mota e Noelli pedindo provas da veracidade das informações divulgadas. Entre elas, a de que a antropóloga Cecília Maria Vieira Helm teria afirmado em uma reunião, realizada em junho do ano passado, que a construção das usinas é inexorável.
A empresa quer também que seja provado que a cartilha Venh Róg Rio Tibagi não foi feita pelos índios e que a Copel está manipulando informações sobre o projeto. A cartilha não é tendenciosa. A prova é que todo o trabalho com os índios foi gravado em fitas de vídeo que fazem parte do arquivo da Copel e que podem ser submetidas a qualquer análise, diz Fonseca.
Segundo o engenheiro, para evitar que surgissem dúvidas sobre a seriedade do projeto, a Copel contratou a Universidade Estadual de Londrina para acompanhar os trabalhos. Através do Núcleo de Estudos de Meio Ambiente, a própria pesquisadora Kimiye Tommasino foi destacada em 1995 para fazer um relatório sobre a viabilidade do projeto. Ela deveria ter apresentado o trabalho em setembro de 1997, mas acabou encaminhando-o à Copel apenas em julho do ano passado, quando o convênio com a Copel já estava encerrado. Segundo a Copel, o relatório da pesquisadora faz uma caracterização da Bacia do Rio Tibagi e não discute a inserção das barragens na comunidade indígena. Mas ela ressalta que os índios não queriam as usinas, o que já impedia a discussão do assunto, diz Fonseca. Isso é uma contradição já que essa não é a opinião dos índios.


