Em parceira com a Chilgener, Deneger e Inepar, a Copel já recebeu autorização do Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (Dnaee) para iniciar os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental da primeira usina termelétrica do Paraná, já chamada de Usina do Porto. O local ainda está para ser definido, mas será próximo a um dos portos marítimos do Paraná. O consórcio foi formado para analisar um projeto de usina associada a um porto com capacidade para gerar 700 megawatts. As autoridades ambientais darão a última palavra sobre a localização da usina.
‘‘A construção de uma termelétrica associada a um porto justifica-se não apenas pela questão ambiental, como também pela necessidade, cada vez mais urgente, de atender adequadamente à crescente demanda de energia na região de Curitiba e em todo o Paraná, com o aproveitamento do que os técnicos chamam de ‘‘energia do desperdício’’. Essa conclusão faz parte dos estudos de viabilidade de construção da Usina do Porto. Eles indicam 14 possibilidades de localização da usina e apontam como melhor opção um lugar já degradado que disponha de um traçado pronto para implantação de novas linhas de transmissão, evitando-se gastos adicionais com o transporte de energia, e que tenha estrutura portuária para receber o carvão mineral que será importado de várias partes do mundo.
A localização da usina deve levar em conta a necessidade de se ter nas proximidades da região metropolitana da capital - maior centro consumidor de energia do Estado - uma grande fonte de energia que garanta o abastecimento com qualidade e continuidade, mesmo em momentos críticos. Os estudos indicam um acentuado aumento da demanda em função da atração de novas empresas externas pelo governo estadual.
Como vantagem extra para o Paraná, a termelétrica criará novas facilidades portuárias, viabilizando a utilização do porto na carga e descarga de outros tipos de produtos. O carvão a ser usado na nova usina será importado das mesmas regiões que produzem esse combustível para a Europa e o Japão, onde as emissões de resíduos são praticamente nulas. Esse tipo de carvão tem um teor calorífico bem maior que o do carvão nacional, o que garante energia a um custo mais barato. Além disso, os baixos índices de enxofre e a implantação de equipamentos para ‘lavar’ gases impedirão a temida chuva ácida.
Os estudos da Usina do Porto demonstram que sua construção é economicamente viável e que seu impacto ambiental é baixíssimo. O consórcio pretende utilizar na termelétrica as mais modernas tecnologias antipoluição dos países industrializados, que já dão preferência às termelétricas devido ao seu menor impacto ambiental. A usina terá equipamentos que retêm mais de 99% da cinza produzida pela queima do carvão. Além disso, todo o gás que sair da fornalha receberá uma carga de hidróxido de cal que abaterá 70% dos gases de enxofre e praticamente todos os metais pesados, restando somente os elementos menores voláteis. A cinza que ficará retida nos equipamentos já tem seu futuro definido: será vendida para as indústrias cimenteira e de cerâmica, que a utilizam como matéria-prima.
Outro fator importante que determina a construção de uma termelétrica desse porte é o que o setor elétrico chama de otimização hidrotérmica. Atualmente, quase toda a geração de energia é hidrelétrica e há um desperdício nos meses em que chove mais. Isso acontece porque depois de um determinado limite as barragens começam a verter a água excedente, desperdiçando a possibilidade de gerar energia.
Com uma termelétrica associada ao sistema hidrelétrico o desperdício acaba: nos meses em que chove mais o fornecimento de energia extra é assegurado pela hidrelétrica; quando os reservatórios começarem a baixar, pela falta de chuvas, a energia extra necessária é assegurada pela termelétrica. Dessa maneira, todo o sistema funciona otimizado. O resultado é energia mais barata, que além de possibilitar a atração de novas empresas e mais empregos, beneficia todos os consumidores, que hoje convivem com o risco da falta de energia, como aconteceu em abril, em função de problemas ocorridos no Estado de São Paulo.

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