Copel combate ligações clandestinas
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segunda-feira, 21 de julho de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaDetectorGilson Nakagaki mostra como funciona o pega-gato, junto a um medidor de energia A Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) está utilizando dois detectores de fraudes para encontrar consumidores que roubam energia elétrica em Foz do Iguaçu. Os aparelhos - batizados popularmente como pega-gatos - foram adotados em caráter experimental e devem ser copiados por vários municípios do Estado. Foz do Iguaçu é a atual campeã no número de ligações clandestinas, segundo a Copel.
De acordo com um levantamento da companhia, existem na cidade cerca de 7.500 pontos de gatos (ligações diretas da rede elétrica). Os casos mais preocupantes, segundo o gerente comercial da Copel em Foz do Iguaçu, Gilson Nakagaki, são as favelas e áreas invadidas. Essas residências representam cerca de 27 mil pessoas e não é possível que eles vivam sem energia elétrica, acredita.
Nos casos de ligações clandestinas diretas, os técnicos da empresa constatam o problema sem a necessidade de aparelhos. Em 20 dias de campanha, já foram desmontados cerca de 500 gatos que levavam energia elétrica para barracos. Para os gatos mais sofisticados, feito por pessoas especializadas em energia elétrica, a fraude está sendo detectada com ajuda de dois tipos de pega-gatos. Geralmente, os casos flagrados são de consumidores de médio e grande porte, afirma o gerente da Copel.
Um destes aparelhos detecta o gato interno, que não é possível ver a olho nu. Neste caso, o consumidor desvia energia elétrica do medidor e acaba não pagando o que consome clandestinamente. Para colocar o aparelho em funcionamento, a Copel desliga todos os disjuntores das residências da rua onde será feita a pesquisa.
Em seguida, os fiscais transitam com o pega-gato em frente de todas as unidades consumidoras. O consumidor que estiver recebendo energia elétrica sem passar pelo medidor, será detectado pelo aparelho.
Numa outra versão mais sofisticada, os técnicos da companhia injetam sinais de rádio de baixa frequência nos cabos de energia elétrica. Os disjuntores das residências também são desligados, porém, o sinal de rádio vai acompanhar as ligações clandestinas. Neste caso, os técnicos também recebem sinais que apontam os locais de fraudes.
Os consumidores flagrados pelos pega-gatos são cadastrados na Copel e pagam multa entre 30% e 40% do valor médio de consumo. No caso do flagrante, o corte do fornecimento de energia elétrica é automático.
O bairro que mais tem preocupado a Copel é a Vila Portes - na região da Ponte da Amizade, onde se concentram lojas e depósitos de mercadorias para exportação. Segundo Nakagaki, a Copel não tem estatística de quanto a companhia perde com os gatos.
Os aparelhos que estão sendo usados em Foz do Iguaçu fazem parte de um programa-piloto. A região é propícia à fraude. Na usina de Itaipu e em Furnas trabalharam cerca de 40 mil pessoas especializadas nessa área. Atualmente, apenas duas mil pessoas trabalham nas empresas. Isso quer dizer que temos cerca de 38 mil pessoas com experiência na área de energia elétrica, afirma o gerente.


