Representantes da Copel e do Conselho Unificado da Associação de Desenvolvimento dos Produtores do Reassentamento Rural Caxias I assinaram termo de compromisso que garante a construção de 43 residências e 43 galpões de apoio. O acordo prevê o repasse de R$ 1,4 milhão ao longo de 12 meses e as obras devem ficar prontas em seis meses.
O início das construções está marcado para este mês. O superintendente de obras de Geração da Copel, Ademar Cury da Silva, sugere que de preferência os próprios reassentados construam suas casas. A Copel entregará energia, água, sistema viário, alojamentos e a terraplanagem do local. A infra-estrutura comunitária começa a ser discutida com os agricultores esta semana.
De acordo com José Uliano Camilo, representante no Conselho dos Agricultores desalojados por barragens do rio Iguaçu, o reassentamento de Salto Caxias é ‘‘um grande avanço e uma das maiores conquistas do movimento de agricultores, e por isso queremos fazer um trabalho transparente em parceria com a Copel’’.
O projeto Caxias I prevê o reassentamento de 700 famílias que hoje residem na área a ser ocupada pelo reservatório da usina. São cerca de 3.500 pessoas nos municípios de Capitão Leônidas Marques, Nova Prata do Iguaçu, Três Barras do Paraná, Boa Vista da Aparecida, Boa Esperança do Iguaçu e Cruzeiro do Iguaçu.
Para o reassentamento a Copel pesquisou o mercado de terras e considerou não apenas o melhor preço, como também a qualidade da terra. Depois dessa avaliação, a empresa optou pela compra de 15 conjuntos, em um total de seis mil alqueires, em Cascavel, Catanduva, Ibema, Boa Vista da Aparecida, Nova Prata do Iguaçu e Boa Esperança do Iguaçu. Cada família reassentada receberá um lote padrão de aproximadamente 10 alqueires, com casa, paiol, energia elétrica e água. A infraestrutura comunitária inclui a construção de escolas, igrejas, centros sociais, canchas esportivas e cemitérios e instalações para assistência agrícola.
Os proprietários com mais de cinco alqueires serão indenizados em dinheiro e suas famílias serão as primeiras a sair das áreas. Os proprietários com menos de cinco alqueires podem optar por receber em dinheiro ou ser reassentados. Os trabalhadores rurais - meeiros, arrendatários, posseiros - também serão reassentados, para que não fiquem sem ter para onde ir.
Para as primeiras 43 famílias serão construídas 30 casas de alvenaria com 84,34 metros quadrados e 13 com de 105,89 metros quadrados, além de 43 galpões de apoio pré-moldados com área de 150 metros quadrados cada um.
Na compra das terras a Copel contou com a participação do Ministério Público, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura, da Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Rio Iguaçu, da Comissão Pastoral da Terra, da Assembléia Legislativa do Paraná, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e do Instituto Ambiental do Paraná. Juntos avaliaram uma oferta de 40 mil alqueires até encontrarem seis mil com as mesmas características das terras desapropriadas.
Quase um terço do custo total da obra de Salto Caxias será aplicado nos 26 programas sociais e ambientais que compõem o Projeto Básico Ambiental (PBA).
A usina, que terá uma barragem de 67 metros de altura por 1.082 metros de comprimento e um vertedouro de 290,5 metros, é é o último grande aproveitamento hidrelétrico no rio Iguaçu e em dois anos aumentará em 1.240 megawatts a potência instalada no Paraná, que hoje é de 3.340 MW.

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