Giovani Ferreira
De Curitiba
O Comando de Operações Policiais Especiais (Cope) está enfrentando dificuldades para trazer ao Paraná uma quadrilha de assalto a bancos e joalherias que foi presa na semana passada em Rio do Sul (SC). O motivo é um acordo feito entre a polícia catarinense e o grupo, que no dia 1º de setembro assaltou uma joalheria e manteve funcionários como reféns. Em troca da libertação das pessoas a polícia prometeu que os assaltantes seriam julgados em Santa Catarina.
Somente nos últimos dois meses, Luiz Frasão Correia, 49 anos, Natalino Messias Martins Costa, 49 anos, Odilton José Castelo Antunes, 43 anos, e Antonio João da Cruz, 34 anos, foram responsáveis por 20 assaltos realizados em Curitiba, região metropolitana e municípios do interior do Estado. Os policiais do Cope estão há meses em uma verdadeira caçada aos integrantes da quadrilha.
Através de reconhecimento fotográfico, a polícia conseguiu levantar que a quadrilha é composta por mais de sete pessoas. Duante as investigações houve um tiroteio entre os assaltantes e oficiais do Cope na cidade de Ponta Grossa. Depois disso eles saíram do Paraná e começaram a praticar assaltos em Santa Catarina.
Um dos últimos crimes cometidos no Paraná aconteceu em Ortigueira, no dia 19 de agosto, quando os ladrões sequestraram o gerente e o tesoureiro da agência do Banestado local, de onde levaram R$ 120 mil. Os quatro elementos foram presos quando roubavam uma joalheria em Rio do Sul. Eles foram identificados, localizados e presos por policiais do Cope, numa ação conjunta com a Polícia de Santa Catarina.
Quando a joalheria foi cercada pelos policiais, os assaltantes fizeram de reféns os funcionários da loja, que ficaram sob a mira de revólveres durante 17 horas. Para que os reféns fossem libertados, o juiz daquela comarca, João Luiz Fragoso, garantiu aos assaltantes que eles seriam mantidos e julgados em Santa Catarina. Conforme a negociação, os quatro elementos foram presos na cadeia pública de Curitibanos, onde teoricamente devem aguardar pelo julgamento.
Os oficiais do Cope estão fazendo um alerta às autoridades policiais de Santa Catarina, destacando a periculosidade dos assaltantes e a fragilidade do sistema carcerário de Curitibanos. Na avaliação do Cope, eles podem fugir facilmente da cadeia daquela cidade. O Cope, que foi surpreendido pela negativa da Justiça catarinense, esperava que os assaltantes fossem recambiados para Curitiba ainda esta semana.
O comando do Centro de Operações está solicitando a interferência do juiz da Vara de Execuções Penais de Curitiba, para que seja acordado com a Justiça de Santa Catarina a transferência dos presos para o Paraná, onde eles precisam ser julgados por dezenas de crimes. Os quatro elementos presos são foragidos e cumpriam penas por assalto. Luiz Frazão foi condenado a 71 anos de reclusão; Natalino Costa a 56; Odilton Antunes a 25; e Antonio Cruz a 26 anos.
Na impossibilidade de recambiar os presos de imediato para o Paraná, o Cope está solicitando que pelo menos eles sejam transferidos para um presídio de segurança máxima, mesmo que seja em Santa Catarina.

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